São Paulo - A leve melhora da economia, refletida na menor taxa de juros e inflação, não foi o bastante para deixar o brasileiro - após três anos de recessão - no maior dos espíritos natalinos. Com a confiança ainda fragilizada, os consumidores entram no mês de Natal com o sinal de alerta ligado, e isso pode jogar um balde de água fria na projeção de vendas do varejo.

"Em novembro boa parte dos indicadores de confiança, tanto do empresário quanto do consumidor, apresentou retração, mesmo com leves sinais de melhora no ambiente econômico. Isso ainda está associado à percepção do brasileiro de que os problemas na esfera política ainda vão ter reflexos no dia a dia", afirmou ao DCI a consultora de varejo e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Cláudia Cortivo.

Na visão da especialista, a tendência é que esse movimento continue no próximo ano, já que as eleições de 2018 são uma grande incógnita. "Com o País polarizado, boa parte dos brasileiros ficará insatisfeito, independente do resultado, e isso pesa bastante na disposição de comprar", revela

Para além da questão política, as incertezas sobre o reflexo da reforma trabalhista, que alterou mais de 100 pontos na CLT, também tem deixado o consumidor receoso. "O brasileiro está esperando para ver como a reforma irá impactar no seu poder de compra, e isso será decisivo para o varejo", comentou ao DCI o coordenador do núcleo de pesquisas da Unifesp e ex-economista da Confederação dos Dirigentes Lojista de Bauru (CDL), Roger Souto.

Otimismo moderado

A desconfiança do consumidor foi revelada na última sexta-feira (1) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o balanço, após subir 2,7% em outubro, a confiança do consumidor brasileiro recuou 0,2% em novembro em relação a outubro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a confiança recuou 2,1%. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) ficou em 101 pontos, 6,6% abaixo da média histórica. "A manutenção do pessimismo do consumidor indica que a recuperação da demanda nos próximos meses tende a ser moderada", afirma a CNI, em nota.

Houve piora nos índices de endividamento, de expectativa de renda e de inflação, enquanto, por outro lado, os indicadores de situação financeira, de expectativa de desemprego e de compras de bens de maior valor registram crescimento.

O índice de endividamento foi o que mais se deteriorou, com queda de 3,1% ante a outubro e de 6,6% ante novembro de 2016. Já a expectativa de renda pessoal caiu 2,6% ante outubro e 5,4% sobre um ano.

As expectativas para a inflação pioraram 1,2% ante ao mês anterior e 1,8% na comparação com o mês anterior. Já a expectativa de situação financeira melhorou 0,4% ante outubro, mas caiu 4,8% na comparação anual. A expectativa de desemprego melhorou 0,6% ante outubro e 2,9% sobre um ano antes. As expectativas de compra de maior valor aumentaram 2,6% no mês e 1% no ano.