São Paulo - A duração da crise econômica e o forte corte no poder de compra fez com que 74% dos brasileiros mudassem hábitos de compras durante a recessão. É o que aponta o estudo a Consumer Sentiment 2017, realizada pela McKinsey.

O estudo, que mapeia o comportamento do consumidor em diversos países mostrou que apenas 16% dos brasileiros se declararam otimistas com a economia, o menor percentual dentre todas as pessoas ouvidas na América do Sul e México.

Mais conservador, o consumidor brasileiro não apenas enxugou os gastos como passou a poupar mais. Quando questionados sobre o que fariam caso ganhassem 10% a mais por mês, três em quatro pessoas declararam que vão poupar o dinheiro extra ou quitar dívidas. Mesmo entre consumidores beneficiados recentemente pelo saque do FGTS, somente 20% da população usaria a renda adicional para consumir, segundo pesquisa da McKinsey. Este padrão é o inverso do observado dez anos atrás, em outro momento também conturbado da economia mundial.

De maneira geral, embora o consumidor ainda seja leal a suas marcas preferidas (e mais caras), ele está cada vez mais disposto a trocá-las pelas de menor custo caso não considere o preço justo. Para 33% dos ouvidos, a fidelidade à marca está agora diretamente ligada ao preço do produto.

Cerca de 23% dos consumidores já optaram pela troca por marcas mais baratas, sendo que 60% deles não pretendem voltar à etiqueta mais cara. Pelo contrário, somente 5% dos consumidores optaram por marcas mais caras.

"Em situações de recuperação de crises observadas em outros mercados, houve uma lacuna de muitos meses a alguns anos para comportamentos de consumo pré-crise voltassem a prevalecer, com mudanças irreversíveis em alguns casos", informa a consultoria, por meio de nota.