São Paulo - Após um ano em que o fluxo de visitantes nos shoppings recuou 3,48%, os centros comerciais têm apostando com ainda mais força nas tradicionais atrações de janeiro voltadas para as crianças. Apesar do investimento, de fato, atrair o consumidor para os corredores, o grande desafio é converter esse aumento em vendas.

"O impacto no fluxo realmente é muito grande, mas em termos de vendas isso é relativo", pondera o professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e gerente comercial do grupo Tivoli, José Roberto Baldin. A coordenadora acadêmica da Academia de Varejo, Patricia Cotti, faz uma análise semelhante. "Nos shoppings voltados para as classes mais baixas o fluxo pode crescer até 30%, mas isso não significa que as vendas vão aumentar. O desafio é justamente esse: gerar a conversão", afirma.

De acordo com ela, uma estratégia importante nesse sentido é trabalhar com afinco na comunicação visual. "O consumidor demora em média 2 segundos passando na frente da vitrine da loja. O lojista precisa trabalhar muito com essa questão da vitrine, porque é a porta de entrada e o que atrai o cliente", diz.

Outro ponto que pode contribuir para que o fluxo maior se converta em vendas é a realização de promoções e liquidações. No Shopping Taboão, por exemplo, além de uma série de ações voltadas para o público infantil, o empreendimento vai trabalhar no período também com uma liquidação (que começou no dia 6 deste mês). "Com as atrações para as crianças recebemos no shopping toda a família, criando excelentes oportunidades de vendas para as lojas. Pensando nisso, entramos na primeira semana deste mês em período de liquidação", afirma a gerente de marketing do centro, Alessandra Tiraboschi.

Segundo ela, o shopping investiu em dois eventos especiais para o período: uma piscina de bolinhas em formato de carruagem e um 'castelo de cavaleiros', ambos na praça central do empreendimento. Sobre as expectativas de aumento de fluxo com as ações, ela aponta que o crescimento esperado é de 6%, sobre o fluxo verificado no mesmo período do ano passado. "Com relação aos demais meses, as férias de janeiro costumam ter um aumento de 10% no fluxo de visitantes", explica.

A crise ajudou?

Se por um lado a crise econômica gerou uma queda de 3,48% no fluxo de visitantes dos shoppings no acumulado de 2016, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce); por outro ela deve contribuir para um aumento do fluxo nas férias de janeiro. A visão é compartilhada por ambos os especialistas ouvidos pelo DCI. "Sem dúvida a crise ajudou. As pessoas acabam não viajando tanto, e as famílias - principalmente das classes menos privilegiadas - são forçadas a optar por esse tipo de atividade", afirma Baldin.

Patricia, da Academia do Varejo, também acredita que o movimento nos shoppings em janeiro pode se favorecer da recessão. "Com a crise a tendência é que haja uma permanência alta nas cidades. As pessoas têm buscado outras alternativas além das viagens, e o shopping funciona muito bem como uma opção de lazer", ressalta.

Em linha com essa visão, a gerente de marketing do Shopping Frei Caneca, Andreia Perini, afirma que o shopping de fato deve virar uma alternativa importante para as férias de janeiro deste ano, com a crise. Diante disso, o empreendimento investiu aproximadamente R$ 20 mil em oficinas de donuts no espaço Kids, e espera atender mil crianças no período das férias escolares. "Acreditamos que o movimento se manterá na média do ano passado", diz Andreia.

Outro centro comercial que investiu com força em atrações para o público infantil é o Tietê Plaza Shopping, que a partir de hoje (12) até o dia 31 deste mês contará com um 'stand' com oficinas do canal do youtube Manual do Mundo.

Tendência

Além das ações pontuais voltadas para o período de férias, Baldin, da Faap, aponta que a transformação dos shoppings centers em ambientes de lazer e entretenimento é uma grande tendência do setor . "No período de férias essas estratégias ganham ainda mais relevância, mas é uma tendência que vemos de uns quatro anos para cá. Atualmente, o cliente gosta de interagir e de ter essas opções de lazer, e os shoppings cada vez mais têm investido nessa estratégia", diz.

De acordo com ele, uma das vantagens de construir atividades nas áreas comuns é que isso acaba gerando uma maior fidelização com o empreendimento. "Isso cria uma lembrança importante para o cliente, e ele volta. Fideliza o consumidor. Às vezes existe um baixo envolvimento do público - sem compras - e esse envolvimento acaba se tornando médio e até alto dependendo do que o shopping oferece de atrações e atividades para o seu consumidor", afirma o especialista.