SÃO PAULO - A startup de impacto social Ubaia criou um e-commerce para conectar o consumidor ao pequeno produtor rural de alimentos orgânicos. Com atuação apenas em Brasília, a empresa mira nesse setor que cresceu, no Distrito Federal, 34% entre 2015 e 2016, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). A capital do País conta com 150 pontos de venda de orgânicos, sendo 59 feiras exclusivas.



Para facilitar a conexão entre as duas pontas, a primeira ideia da empreendedora Guaíra Flor, em 2015, era desenvolver um aplicativo. Ela conta que já no início a empresa conseguiu participar do primeiro edital do Startup DF, programa de apoio promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (Fap-DF).



"Ganhamos R$ 176 mil no programa, que arcava com o total de 60% do projeto. Usamos o dinheiro para desenvolver a plataforma e pesquisas. Nesse processo descobrimos que seis a cada dez pessoas não compravam orgânicos pelo preço, então resolvemos democratizar esse acesso. Elas preferiam site para fazer compras, no lugar de aplicativo. Pensamos em vários modelos de compra e, só em julho de 2016, fechamos com a cesta", relata.



O e-commerce conta com três tipos de venda: assinatura mensal, no qual o cliente paga um frete e recebe quatro cestas por mês; cestas personalizadas, em que o consumidor escolhe de maneira livre; e cestas de saúde, montadas por nutricionistas que escolhem os produtos de acordo com a necessidade médica.



Flor diz que o esquema de logística é a maior dificuldade da startup, principalmente pela falta de acesso dos produtores à internet e à tecnologia.



A empreendedora explica que existe uma associação que leva os produtos para as feiras regulares. Mas a parceria entre a entidade e os produtores funciona no modelo de consignação de um número fechado de produtos, o que pode acarretar em perdas, dependendo do desempenho das vendas. "Com a gente não tem essa perda", afirma. "Só pegamos a quantidade que já foi vendida", explica. 



A dificuldade é que os agricultores não tinham como entregar os produtos para a Ubaia. "Em Brasília não tem startup de logística", diz. Para contornar esse problema, a empresa começou a desenvolver um modelo próprio de entregas. "Começamos a fazer a nossa [logística]. Tentamos uma parceria com Uber, mas não deu certo. Nossa saída foi com algo mais informal: familiares que podiam trabalhar com isso decidiram entrar no negócio. Mas não é uma empresa especializada. Repassamos a taxa de entrega de R$ 9,90 para eles", ressalta.



A startup trabalha com 80 produtores cadastrados e 250 clientes na carteira. Destes, 30 são mensalistas. Com venda média de 60 cestas por mês, distribuídas terça, quinta e sábado, a Ubaia monetiza ficando com 30% do valor dos produtos - o repasse para os produtores é de 70%.



"Nós temos um viés social que visa a ajudar o desenvolvimento desse produtor, até porque o maior prejuízo é dele. Por isso achamos justo repassar essa porcentagem", diz. Porém, por causa dos preços da concorrência e da questão logística, a empreendedora não sabe se será possível manter essa proporção de repasse.



Flor adianta que está repensando o modelo de negócio para, além do foco atual no B2C, entrar no mercado B2B, o que pode ajudar a reforçar a receita e a manter a proporção do repasse. "Percebemos que os pais têm muito preocupação com a alimentação dos filhos, principalmente na infância. Por isso, queremos o mercado de creches. Já tivemos algumas interessadas no nosso negócio, mas ainda não está estruturado", avisa.



A startup já está desenvolvendo o aplicativo, que será lançado no começo de 2018. A proposta é estimular o consumo total dos produtos, com dicas de aproveitamento. A venda continuará apenas no site. A Ubaia está faturando uma média de R$ 7 mil por mês, com um tíquete médio de R$ 130. "Nossa expectativa para 2018 é dobrar a receita mensal e conquistar 10% do mercado de orgânicos de Brasília", diz.



A empresa também participou como finalista do programa Inovativa Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), e está sendo incubada pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB).