Wuhan (China) - A FiberHome, fabricante chinesa de fibra óptica e provedora de sistemas de comunicação baseados nessa tecnologia, já responde por cerca de 30% desse mercado no mundo e quer chegar a 50% em cinco anos. Para isso, o plano é reforçar a oferta de produtos e serviços na América Latina e em especial no Brasil.

Segundo o presidente da companhia, Zhiqiang Fan, o País é o principal mercado da empresa na América Latina, região onde a adoção de tecnologias baseadas em fibra óptica tem um delay estimado de cinco anos em relação a mercados maduros, como EUA e Europa. Por esse potencial ainda pouco explorado, a área é considerada estratégica para os planos de expansão global. Em cinco anos, a companhia pretende dobrar o volume de negócios na região, que hoje soma cerca de 15% do faturamento.

Exemplo desse delay é que só agora está se consolidando no Brasil o uso da tecnologia FTTH (do inglês Fiber To The Home), que substitui os cabos de cobre no trecho conhecido como 'última milha' das redes de telecomunicações. É o trecho que conecta as redes das operadoras de telefonia e também dos provedores de internet (segmento conhecido pela sigla ISP, do inglês Internet Service Provider) com as residências e empresas.

A FiberHome já tem um market share de 50% no Brasil no segmento de FTTH para ISP, segundo estimativas próprias baseadas nos registros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A empresa atribui essa posição ao seu pioneirismo na oferta dessa tecnologia no Brasil, onde iniciou suas operações em 2011. "Chegamos no momento certo", diz o responsável pela companhia no Brasil, Jay Hu. "O FTTH ainda não era comum e os serviços dependiam de cabos de cobre", conta.

Até então restrita aos backbones, que formam a 'espinha dorsal' das redes de telecomunicações, a fibra óptica passou a ser vista a partir daquele momento como opção também para a 'última milha', o que impulsionou os negócios da FiberHome. Assim, em seis anos no Brasil, a empresa conquistou grandes operadoras de telefonia - Telefônica/Vivo, TIM, Oi, Claro e Algar - e mais de mil pequenos clientes ISP.

Hoje, o escritório em São Paulo tem 40 pessoas, formada meio a meio por profissionais chineses e brasileiros. A empresa instalou ainda um laboratório em Itajaí (SC) para testar soluções e adaptar serviços para o mercado brasileiro.

Outros segmentos

Considerando todo o mercado de fibras ópticas no Brasil, a participação da FiberHome não é tão expressiva quanto no segmento específico de FTTH. "Mas muitos clientes também estão comprando cabos de nós, como Vivo, Tim, Oi, Copel e muitos ISP", diz Hu. Embora o Brasil tenha peso no plano de negócios para a América Latina, a companhia optou pelo Equador para instalar em 2016 sua primeira fábrica de cabos de fibra óptica fora da China. Hoje a FiberHome também atende na Argentina, Chile, Peru e México.

Por enquanto, a fábrica no Equador atende apenas o mercado interno e exporta para a vizinha Colômbia. No futuro, deve suprir também a demanda dos demais países da região. Como os cabos são pesados, a produção local permite reduzir os custos com transporte, explica Zhiqiang, o presidente da companhia com sede em Wuhan, capital da província de Hubei, região central da China.

No mercado latino-americano, os principais concorrentes da FiberHome em cabos ópticos são a japonesa Furukawa e a francesa Prysmian e, por ser a quarta maior player global em cabos de fibra óptica e em redes ópticas PON, a expansão daqui em diante deve ser puxada por outros segmentos nos quais já atua mas não tem posição tão expressiva: os de redes ópticas, componentes ópticos, switches e roteadores e também o de produtos para IPTV STB (televisão digital por internet em banda larga). "Em redes ópticas já temos boa participação em outros países, mas no Brasil só começamos a oferecer estes produtos em 2017", afirma. Entre os potenciais clientes dos novos produtos o executivo cita a Claro "ou algum projeto governamental", exemplifica o executivo.

"O mercado brasileiro é muito grande e a FiberHome seguirá a investir nele. Acredito que, se crescermos dentro do esperado, vamos ajudar muito nas metas globais da empresa", completa Hu. /*A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China