São Paulo - A melhora do ambiente de negócios vista nos segmentos industriais e comerciais ainda não chegaram ao setor de serviços. Em novembro a confiança do empresário caiu 0,1 ponto, reflexo da demanda ainda enfraquecida no ramo.

Os números do Índice de Confiança de Serviços (ICS) foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e apontam que embora o indicador tenha ficado praticamente estável ante outubro (0,1 ponto), o indicador segue melhor este ano que no mesmo período de 2017.

Quando analisado o mês de novembro ante outubro, o indicador reflete queda da confiança em 7 das 13 atividades pesquisadas. A principal influência negativa no resultado de novembro veio do Índice da Situação Atual (ISA-S), que chegou a recuar 0,8 ponto em contraponto ao Índice de Expectativas (IE-S), que avançou 0,7 ponto na mesma base de comparação.

Para o consultor da FGV, Silvio Sales, os números - desde o início de segundo semestre - revelam um processo mais equilibrado entre percepção e situação corrente. "A virtual estabilidade da confiança no mês não altera o quadro positivo dos indicadores nos últimos meses. A evolução desde o início do segundo semestre revela um processo mais equilibrado entre a percepção empresarial sobre as condições correntes e suas expectativas para os próximos meses, padrão que não era observado anteriormente."

Ainda no que diz respeito ao Índice de Situação Atual, a queda de 0,8 ponto foi determinada pelo grau de satisfação com os negócios hoje em dia que, ao cair 1,2 ponto, exerceu a maior contribuição para a retração de ISA-S em novembro.

Já a alta de 0,7 ponto do Índice de Expectativa foi determinada pelo avanço do indicador de demanda prevista, que subiu 2,5 pontos indo para 90,4 pontos. A FGV ressalta que o Nível de Utilização da Capacidade da Indústria do setor de serviços fechou novembro com queda de 0,6 ponto percentual frente a outubro, indo a 82,4%. Essa queda devolveu em parte o crescimento de 1,5 ponto percentual registrado em outubro. Apesar do resultado reticente, a proporção de empresas reportando "demanda insuficiente" como principal obstáculo vem recuando nos últimos meses, e foi a 35,3% em novembro, menor valor em 33 meses.