Rio de Janeiro - O primeiro semestre letivo de 2017 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) pode não começar tão cedo. A previsão é retornar às aulas na terça (17), mas o atraso nos repasses da Secretaria estadual de Fazenda (Sefaz) podem forçar a entidade a adiar a data.

Por causa da crise, a Uerj, que é vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), alega que não tem recebido os recursos previstos. Porém, a Sefaz diz ter repassado 65% do orçamento de R$ 1,1 bilhão previstos para 2016, que incluem custeio e pagamento de pessoal.

O parcelamento dos salários de novembro de parte do funcionalismo e a falta de previsão para os pagamentos de dezembro e 13º atingiram os 3 mil professores e 4,5 mil técnicos-administrativos da universidade. De acordo com a Fazenda, estão pendentes R$ 212,4 milhões em pessoal (18,9% do orçamento) e R$ 83,9 milhões (7,5%) em custeio e investimento.

Em nota, a Secti afirma que "dispensou esforços para garantir o funcionamento da universidade, pagando as bolsas-auxílios, parte do custeio e o salário dos servidores". A pasta não informou os valores totais repassados. Disse apenas que manteve o custeio mensal de R$ 7,5 milhões, referente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe).

A secretaria criticou a carta aberta do reitor Ruy Garcia Marques e da vice-reitora Maria Georgina Muniz Washington, que afirmam que "a Uerj está sendo sucateada" e na qual acusam o governo de "forçar o fechamento" da universidade pela falta de financiamento. Em outro documento, as professoras Maria Emilia Prado e Mônica Leite Lessa dizem: "Submetida a condições inaceitáveis, a UERJ encontra-se paralisada".

"Não se pode aceitar o radicalismo apontado, em especial o fechamento da universidade, impedindo que os servidores possam trabalhar, e a incitação à greve, o que é ilegal. Em oito anos, a receita total da universidade pulou de R$ 579 milhões para R$ 1,3 bilhão, sendo que R$ 1,1 bilhão foi oriundo de recursos estaduais. Descontando-se a inflação acumulada no período, houve um crescimento real de quase 100% no orçamento da Uerj", diz a nota divulgada pela Secti.

Durante entrevista para a rádio CBN, a sub-reitora de Graduação da Uerj, Tania Carvalho Netto, rebateu. Ela disse que a universidade está impossibilitada de funcionar, inclusive o Hupe e a Policlínica Piquet Carneiro, que fazem quase 400 mil atendimentos por ano, entre consultas, internações e cirurgias.

"O calendário está mantido, mas não sabemos se conseguiremos começar as atividades porque até as contas de água e luz estão com pagamentos atrasados. Se o governo não repassar os R$ 360 milhões para pagar a manutenção, o custeio e a folha de pagamento, se o estado não honrar com essas dívidas, vai ficar difícil abrir as portas no dia 17", disse.

Insensatez

Ela também criticou o posicionamento da Secti em relação ao repasse de verbas:

"Servidores, pesquisadores, residentes e bolsistas estão com salários atrasados, enquanto tem funcionários de outras secretarias recebendo na integralidade. Nós queremos isonomia. Não é só uma questão material, é o impacto na auto-estima das pessoas, que se sentem desvalorizadas e desprestigiadas com um conjunto de contas (pessoais para pagar) que não esperam. É uma insensatez e uma irresponsabilidade dizer que a universidade não pode reclamar, que está sendo paga, quando, na verdade, o cenário é outro".