Rio de Janeiro - Tratar efluentes líquidos industriais e sanitários, inclusive o chorume gerado nos aterros sanitários, antes do descarte na rede pública ou do reúso é uma das obrigações ambientais das empresas produtoras. E uma oportunidade para a Nova Opersan.

Criada há quatro anos, a Nova Opersan é uma empresa de soluções ambientais que trabalha com tratamento de águas e efluentes, desde a captação até o descarte. Investiu não só na demanda pela necessidade legal e ambiental, mas também no fato de as empresas começarem a perceber as vantagens econômicas e ambientais do tratamento para reúso da água - principalmente após a crise hídrica de 2014.

Na cidade do Rio, são dois modelos de negócios: onsite e offsite. No primeiro caso, a Nova Opersan projeta, constrói, opera e faz a manutenção de estações de tratamento de água e esgoto dentro das empresas. Entre os clientes, grandes shopping centers como BarraShopping, Guadalupe Shopping, Rio Sul e Parque Shopping. Alguns, inclusive, optaram por construir uma estação de reúso de água, o que favorece a redução de gastos.

"Desde a crise hídrica, a água passou a ser vista como elemento estratégico para as empresas. Daí a necessidade de tratar e reutilizar, uma questão sustentável e de consciência ambiental. Percebemos que esse custo inicial se reverte em competitividade para as empresas. Em edifícios corporativos, essa água pode ser usada pra lavar pátios, irrigar jardins, refrigerar o sistema de ar condicionado e até mesmo nos sanitários", conta José Fernando Rodrigues, CEO da empresa.

Licença

Recentemente, a Nova Opersan conseguiu renovar a Licença Municipal de Recuperação e Operação (LMRO), expedida pela Secretaria municipal de Meio Ambiente do Rio, com validade até 2018. Dessa forma, além dos efluentes líquidos industriais e sanitários, a empresa passa a tratar também o chorume, tecnicamente conhecido como lixiviado de aterro sanitário.

"O chorume não tem uma classificação exata, ainda não está definido como um resíduo biológico ou químico, porque é um efluente resultante da decomposição da matéria em aterros sanitários. Por isso, é preciso ter uma licença específica para trabalhar com o composto. O tratamento desse material é importante porque o resíduo acaba na Baía de Guanabara, o que degrada o meio ambiente", diz Rodrigues.

Investimento

Quando coletados pela Nova Opersan - seja em aterros sanitários ou empresas - os efluentes líquidos industriais e sanitários, são transportados em caminhões e levados para a Central de Tratamento Offsite, em Santa Cruz, zona oeste do Rio. A estação multiprodutos trata resíduos de esgoto sanitário, fossas industriais, caixas de gordura, emulsões oleosas, subprodutos da produção industrial, como lama de perfuração, e chorume.

Já na central, os materiais são descartados na rede pública de esgoto ou em córregos e rios previamente definidos pela legislação ambiental e fiscalizados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O tratamento de cada metro cúbico de efluente varia, em média, entre R$ 100 e R$ 500.

"Quando somos contratados por uma empresa, coletamos uma mostra e levamos para avaliação no nosso laboratório, para um teste de tratabilidade. Os preços são definidos de acordo com os tipos de contaminantes, os processos físico-químicos utilizados e a mão de obra necessária para o tratamento e posterior descarte ou reúso", explica o CEO.

Para atender o provável aumento de demanda, a Nova Opersan investe R$ 4 milhões para ampliar a Central de Tratamento Offsite, melhorar os processos produtivos e instalar equipamentos mais modernos, como tanques e equipamentos para tratamento biológico ou físico-químico dos resíduos. Segundo Rodrigues, a expectativa é triplicar os investimentos até o fim de 2017.