Rio de Janeiro - Os escândalos que abalam o presidente Michel Temer podem postergar os planos de ajustes do executivo fluminense para equilibrar as contas. Apesar da aprovação no Senado da lei de recuperação dos estados, uma eventual mudança no governo federal e os desdobramentos da crise podem atrasar a aprovação das medidas de austeridade.

Professor de Economia e Finanças e coordenador adjunto da Graduação em Economia do Ibmec/RJ, Ricardo Macedo acredita que a instabilidade do atual governo Temer vai gerar atrasos na liberação dos empréstimos tão alardeadas pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) como solução para equilibrar as contas públicas. do estado do Rio.

"O que pode acontecer é um adiamento. Lógico que vai haver um prazo para assinar o acordo e será necessário esperar para renegociar com um eventual futuro governo. Isso tudo vai demandar tempo. A situação está ruim e um plano austero sendo postergado gera mais incerteza", avalia.

No que depender da oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), as medidas de ajuste fiscal do governo do estado terão mais um motivo para não serem votadas. Para o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL), as denúncias contra Temer comprometem os acordos com Pezão e quaisquer medidas austeras.

"O que as gravações mostram é que os esquemas com interesses econômicos e troca de favores permaneceram. Difícil imaginar a votação de uma agenda que enfraquece serviços públicos e sacrifica a população, e sem agenda clara de recuperação e de debates. A tendência é que a Casa se divida, porque existem aqueles parlamentares que vão querer que a música continue tocando", diz o parlamentar.

Professor de economia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Ricardo Maluf é mais otimista em relação aos efeitos das turbulências de Brasília na crise particular do Rio. Para ele, caso o presidente renuncie ou seja afastado do cargo, a tendência é que a equipe econômica seja mantida, o que garantiria os acordos já costurados entre Pezão e Temer.

"Pelo que tenho visto, seja qual for a decisão que for tomada, parece que a preservação da equipe econômica é a prioridade. O que eu acho positivo. Temos instabilidade política, mas temos uma equipe econômica que faz o dever de casa", acredita Maluf.