São Paulo - A exportação de veículos superou a meta das montadoras locais. Até novembro, o setor embarcou 700,8 mil unidades, recorde histórico no período. Para o fechamento do ano, a indústria automotiva espera ultrapassar a projeção de 740 mil veículos embarcados.

"Nunca exportamos tanto em um ano", disse ontem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale. No acumulado até novembro, o setor elevou os embarques em 53,3% em relação a igual período de 2016.

Conforme o dirigente, não só o câmbio favoreceu os embarques, mas também o avanço tecnológico dos veículos produzidos localmente. "Vamos superar as previsões [de exportações] para este ano", acrescenta.

No entanto, para avançar ainda mais, Megale destaca que a indústria local precisa se tornar mais competitiva. "O Brasil está retomando as discussões com a União Europeia no âmbito do Mercosul, mas para termos um acordo de livre comércio - que leva no mínimo dez anos para acontecer - os nossos produtos precisam necessariamente ganhar competitividade", pontua.

Neste sentido, o dirigente esclarece que o Rota 2030, nova política industrial para o setor automotivo, precisa ser aprovado o mais breve possível, já que o seu conteúdo prevê estímulos para diversos tipos de inovação, incluindo eficiência energética.

"O Rota 2030 está sendo preparado com o olhar também do Ministério de Relações Exteriores", ressalta.

Contudo, o Rota 2030 precisa ser anunciado até o fim do mês, já que o Inovar-Auto, regime vigente, termina no próximo dia 31. "Existe uma divergência entre o que nós consideramos como investimentos em pesquisa e desenvolvimento e o que o Ministério da Fazenda considera como renúncia fiscal. Mas a indústria automotiva é uma das que mais contribui para a arrecadação do governo", garante.

Megale salientou, porém, que ainda não há previsão de quando será o anúncio do Rota 2030. "Esperamos que saia até o fim do mês", finaliza.

Balanço

A produção de veículos continua apresentando crescimento expressivo. De janeiro a novembro, o volume produzido atingiu 2,48 milhões de unidades, avanço de 27,1% sobre igual período de 2016.

Já os licenciamentos alcançaram 2,02 milhões de veículos nos onze primeiros meses do ano, crescimento de 9,8% na mesma base de comparação.

Para o presidente da Anfavea, o resultado de vendas do mês passado foi o melhor desde 2014. "Os emplacamentos diários, em novembro deste ano, superaram 10 mil unidades. Começamos o ano com média diária de apenas 6,6 mil unidades", lembra.