BRASÍLIA – O governo quer condicionar a prorrogação dos incentivos dados à indústria automobilística à manutenção dos empregos. A informação foi dada pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), após reunião com o ministro da Fazenda interino, Nelson Barbosa, e o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti.



“Eles estão negociando. Ante a crise, a tendência seria naturalmente prorrogar, negociar os benefícios, mas o governo quer aguardar essas questões e o compromisso formal do setor de que não haverá demissões”, disse a senadora. Segundo ela, o ministro Nelson Barbosa deixou muito claro que essa condicionante (manter os empregos) precisa ser atendida. “Os incentivos, sim. O desemprego, não.”



Já Meneghetti afirmou que as montadoras vão entender que este é um momento em que todos terão de reunir esforços para manter a economia aquecida e, por isso, terão de rever as posições. “Eu sou otimista, acredito que tanto o governo quanto a Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] e a Fenabrave, todos estamos unidos para criar uma agenda positiva”. Ele ressaltou que, como essa política está dando resultado, não quer pensar em aspectos negativo. “Eu só quero acreditar que isso [incentivos] será mantido”, disse Menghetti.



De acordo com a senadora Kátia Abreu, não foram tratados na reunião casos específicos, como as demissões que podem ocorrer na General Motors (GM), devido à desativação de uma das unidades da montadoras, em São José dos Campos (SP).



Hoje cedo, em Londres, a presidente Dilma Rousseff cobrou dos empresários contrapartida, como a garantia de empregos, em resposta à decisão do governo de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis e desonerar os eletrodomésticos da linha branca e móveis. A presidente informou que o governo faz estudos para promover uma série de desonerações, mas não detalhou o levantamento.