SÃO PAULO - A preocupação com o corpo, mente e o bem-estar aliada à carência de um mercado contribuiu para  Cristiana Arcangeli colocar em prática suas visões empreendedoras. Com apostas no mercado da beleza, a empresária registra em sua trajetória cases de sucesso que trazem em seu DNA a inovação.



Formada em odontologia com especialização em endodontia (tratamento de canal), Cristiana clinicou durante cinco anos e como consumidora de produtos de beleza sentiu uma brecha de mercado. "Quando criei minha primeira marca senti a necessidade no mercado de um produto que cuidasse com uma boa hidratação capital. Criei uma linha de produtos com ingredientes naturais", explica.



Era a primeira investida da empresária, que após 25 anos no mercado decidiu inovar não somente em um produto, mas também em um conceito ao criar, em 2010, a  Beauty'in, empresa do segmento de produtos aliméticos - alimentos com funções cosméticas. "Um projeto muito maluco, pois difere de todas as empreitadas passadas. A ideia apresentava um novo hábito de consumo, pois decidimos vender um conceito para o público consumidor", pontua.



Férias produtivas



Segundo recorda a empresária, a curiosidade sobre a ingestão de colágeno teve início durante uma viagem de férias para a Ásia. "Estava em visita ao Japão e ao entrar em uma farmácia me deparei com um pote de colágeno. Fiquei curiosa e decidi comprar o produto", lembra. "Era muito ruim. Trouxe algumas amostras para o Brasil e decidi estudar sobre como poderíamos melhorar o produto. Chegamos à conclusão que poderíamos ofertar um novo produto, no qual o cliente fizesse a ingestão com dosagem certa da substância".



Após pesquisas surgiram os primeiros produtos da marca, com a linha beauty drink e a beauty candy, com opções de água e balas com colágeno. "Tínhamos esses dois produtos e ficamos preocupados que o público se enjoasse do produto. Decidimos pela criação de novas opções para o consumidor, pois pensamos em estratégias para mantermos presença no dia a dia de todos", sintetiza. Hoje, por meio de parceiros, a Beauty'in produz barrinhas de cereal, águas vitaminadas, chocolates, balas com colágeno fazem parte do portfólio composto por cerca de 80 produtos da marca.

Segundo conta a empresária, uma gama crescente de jovens consome o produto, pois possuem essa identificação com a marca. "O colágeno é indicado para a flacidez da pele e antirrugas. Também tem uma reação nos ossos. Após os 30 anos é indicada a reposição diária do produto, entre cinco e oito gramas", sintetiza. "Esse fato nos permite estar presentes em todas as camadas sociais, pois atendemos quem está preocupado com a saúde".



Mercado inovador



A crescente preocupação com o que se come é o que esteve por trás do otimismo da empresária. Com investimentos de R$ 30 milhões ao longo dos últimos cinco anos, a marca que movimentou R$ 2 milhões em seu primeiro ano, quando tinha somente dois produtos, prevê atingir movimentação de R$ 34 milhões em 2014, ante os 24 milhões atingidos em 2013. 



"A necessidade é coletiva, pois vimos que as pessoas receberam nossos produtos com muita facilidade. Tenho visto que algumas empresas têm copiado o conceito, com a criação de alguns itens", comenta. "A busca por uma vida saudável, que inclui uma alimentação balanceada, tem feito com que as pessoas percebam que  somos o que comemos", diz.



O conceito teve tamanha aceitação que, recentemente, a marca aportou em território inglês, com participação na Semana de Moda de Londres. "Os organizadores buscavam algo saudável. Demos início nas vendas em lojas de departamentos. Agora estamos com entrada no mercado americano, a partir de dezembro, quando também estaremos na Ásia e, em 2015, no México", diz. "Acreditamos no mercado dos Estados Unidos, pois lá a população está preocupada com o corpo, diferente do público na Europa."



DNA empreendedor



A inovação faz parte do dicionário empreendedor de Cristina Arcangeli desde seu primeiro negócio. Em 1986, a Phytoervas chegava ao mercado com primeira linha de produtos sem sal para cabelos e muitas outras inovações em embalagens, nomenclaturas e ativos naturais. Na época a marca abriu espaço para um eixo de negócios focado na moda, com a criação dois eventos: Phytoervas Fashion, e o Phytoervas Fashion Awards. Assistidos por mais de 60 mil pessoas, os encontros lançaram mais de 60 estilistas.



"A época era a do Plano Cruzado e passei por sete planos econômicos. Entre nomes renovados da moeda peguei a  inflação de 80% no País. As pessoas não têm persistência e desistem rápido. Eu tenho essa resiliência um pouco aumentada", confessa.



No início dos anos 90, a empresária abriu a PH Arcangeli, primeira distribuidora de marcas de cosméticos internacionais do País. Em 2006, a empresária volta a surpreender e cria a Éh Cosméticos, primeira linha de cosméticos orgânicos do Brasil, vendida para a Hypermarcas, e a Beauty in, que hoje conta com investimentos do grupo BTG Pactual.