Hangzhou, China - Xunda Zheng segura em uma mão um drone com uma câmera de apenas 242 gramas e, com a outra, aciona um app para erguer o dispositivo até o teto de um galpão em Hangzhou, na China. Egresso do gigante de e-commerce Alibaba, ele é um exemplo da influência da empresa na formação de um ambiente de inovação na cidade.



O ex-funcionário da companhia hoje é o CEO da Liangcang, incubadora e aceleradora de negócios instalada em Dream Town, núcleo de empreendedorismo que abriga centenas de startups. Uma delas é a Zero Zero Robotics, que desenvolveu a Hover Camera, o drone mostrado por Zheng.



As novatas surgem na esteira do sucesso do site de e-commerce criado em Hangzhou em 1999, por Jack Ma.



A incubadora de Zheng, fundada há apenas dois anos, em março de 2015, já apoiou mais de 80 projetos, dos quais mais de 30 atraíram aportes, em um total de 1,8 bilhão de iuanes (cerca de R$ 900 milhões).



Três dos quatro sócios da incubadora passaram pelo Alibaba e agora ajudam jovens inspirados na história de Ma a criar suas startups. Em Dream Town, eles têm incentivos para desenvolver seus projetos.



Há desde infraestrutura física, com apartamentos, escritórios de coworking e galpões com custos subsidiados por governo e setor privado, até a mentoria de empreendedores experientes, o apoio para aspectos técnicos, administrativos e jurídicos do negócio e recursos de investidores anjos e fundos de capital de risco.



O núcleo de Dream Town foi lançado em agosto de 2014 como um projeto dos governos distrital e municipal e também da província de Zhejiang, como parte de um cluster mais amplo, denominado Future Sci-Tech City de Hangzhou. O complexo já opera, embora ainda não tenha ocupado toda a área planejada de 113 km2.



Cerca de 4.800 empresas estabeleceram escritórios na Future Sci-Tech City. Mais de mil são pequenas e médias de base tecnológica. Entre as grandes estão as telefônicas China Mobile e China Telecom, a joint-venture farmacêutica Amgen-Betta e a própria Alibaba. Também há universidades.



Efeito em cadeia



Se a trajetória de Ma, ex-professor de inglês que se tornou um dos homens mais ricos do mundo, é vista como uma inspiração para os empreendedores, o Alibaba é uma ponte para sua inserção no mercado.



Muitas startups vendem produtos nas várias plataformas do grupo, como o Taobao, voltado ao mercado doméstico, o Tmall, marketplace de marcas de luxo, e o AliExpress, que permite a consumidores do mundo todo comprar de produtores ou distribuidores chineses. Com todas as plataformas, é uma máquina que vende de 50 milhões a 60 milhões de itens por dia, diz William Shi, do departamento de Relações Públicas do grupo.



Outras prestam serviços ao Alibaba, que hoje tem áreas de negócios dedicadas a computação em nuvem e serviços financeiros. A engrenagem conta com um serviço próprio de pagamentos, o AliPay, e um braço de microcrédito para pessoas físicas e pequenas empresas, o Ant Financial.



Baseados em big data, os serviços incluem análise de perfil de risco e permitem ao tomador do empréstimo obter os recursos em poucos cliques, em um processo 100% on-line. Os próximos passos incluem o desenvolvimento de biometria para que o consumidor possa pagar por produtos ou serviços usando apenas a identificação facial, adianta Shi.



Nesse ambiente de inovação, a história do Alibaba, de apenas 18 anos, já é peça de museu. Na sede da companhia em Hangzhou, os visitantes são convidados a percorrer um ambiente onde as paredes exibem fotos da equipe trabalhando no início do negócio, em um escritório improvisado.



Hoje, a presença do grupo colabora para a economia de Hangzhou e da província de Zhejiang, uma das mais ricas e desenvolvidas da China. O grupo paga cerca de 100 milhões de iuanes (R$ 50 milhões) por dia em impostos, estima Peng Bo, vice-diretor do Departamento de Relações Internacionais de Zhejiang.



Além de seguir no comando do Alibaba, Jack Ma é um dos investidores que apostam nas startups em Hangzhou. Seu nome e sua foto estampam o material de divulgação da Future Sci-Tech City com uma frase: "Meu lugar ideal para iniciar um negócio".



(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)