São Paulo - Após atingir seu maior patamar em 2011 e oscilar nos últimos anos, a produção de mandioca começa a despontar para um novo potencial: a farinha de tapioca.

Apesar de ainda ser considerado um mercado minúsculo na comparação total com a sua matéria-prima, a tapioca vem ganhando espaço nos negócios nacional e internacional.

Para se ter ideia, aproximadamente 8% da produção total de mandioca foi destinada a geração da fécula de tapioca. São 755 mil toneladas em 2015, o maior volume já produzido no Brasil. O mais próximo desse patamar foi justamente o ano anterior, com 650 mil toneladas.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), Ivo Pierin Junior, o aumento do consumo se deve as mudanças de hábitos alimentares. "As pessoas procuram mais pelas características do produto, que não tem glúten e a sua base é altamente digestiva", diz.

Investimento

O diretor-geral da indústria paulista Casa Maní, Antonio Fadel, aponta uma mudança de consumo entre as diferentes regiões do País. "Anteriormente, a maior preferência pela tapioca vinha das regiões Norte, Nordeste e Sul. No entanto, há mais ou menos três anos, a população do Sudeste começou buscar algo mais saudável, com um carboidrato não nocivo e sem glúten", afirmou ele ao DCI.

Focada em massas prontas para tapioca, a Casa Maní, que atua há 40 anos no processo de industrialização de mandioca para produção de amidos e derivados de alta qualidade, investiu cerca de R$ 10 milhões na expansão de sua fábrica em Tarabai, cidade que fica a 588 quilômetros de São Paulo.

Com o aporte, a empresa tem agora capacidade para fabricar até 1,5 mil toneladas por mês. No ano passado, a produção total foi de quatro mil toneladas, e prevê chegar a seis mil toneladas em 2016.

A tentativa de entender o novo mercado ocorreu após uma pesquisa realizada com os consumidores no final do ano passado. Com a embalagem à vácuo, a empresa conseguiu aumentar o prazo de validade do produto, que saiu de três a seis meses para um ano, sem a utilização de conservantes.

Isso despertou o interesse do mercado estrangeiro, já que com o maior prazo de validade da tapioca, é possível exportar em grande quantidade.

Os destinos têm sido os mais variados, com destaque para Canadá, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão e Nova Zelândia - os últimos contratos ainda incluem Coreia do Sul e Austrália. "Como não há o uso de conservantes e conseguimos um prazo maior de validade, a aceitação é muito boa, vem crescendo", destaca Fadel sobre a inserção do produto brasileiro no mercado externo.

Segundo ele, há algumas especificidades para a importação. No caso do Reino Unido, a exigência foi pela tapioca orgânica, com selo de qualidade similar ao do café nacional. "Apenas um produtor em São Paulo trabalha com a tapioca certificada. Vamos exportar com o excedente da sua produção", relata o executivo.

A Casa Maní quer exportar até 25% do volume total neste ano, superior aos 11% de 2015.

Exportação

O Brasil ainda tem muitas dificuldades a serem enfrentadas para ganhar market share mundial. Um dos principais aspectos é a capacitação de empresas para a certificação de qualidade. "Nós não somos um tradicional exportador, mas estamos ganhando espaço", diz Pierin Junior.

Dados do setor apontam que nos últimos cinco anos o mercado global de amido de fécula está estimado em US$ 20 bilhões, com participação nacional de US$ 50 milhões.

O maior exportador mundial é a Tailândia, com 3,828 milhões de toneladas de uma produção total na casa dos cinco milhões. Em 2014, a exportação tailandesa foi um pouco maior, com 3,958 milhões de toneladas. Para o diretor da ABAM, os entraves para um nicho de potencial crescimento têm o custo da produção, preços mais competitivos nos portos e maior segurança aos produtores.