Ribeirão Preto - Com a expectativa clara de alta nos juros do crédito rural do Plano Agrícola e Pecuário (PAP), entidades do setor têm pressionado o governo federal para elevação no volume de recursos para a safra 2015/2016.

Porém, enquanto o valor total oferecido não for definido, o rumo sobre a capacidade de investimento do produtor segue incerto e trava as perspectivas para os segmentos de insumos.

É o caso dos fertilizantes especiais - orgânicos, organominerais, foliares, condicionadores de solo e substratos para plantas - cujos representantes mantêm a meta ousada de crescerem 6% neste ano, mesmo diante de margens de renda menores no setor agrícola, mas admitem a influência direta da disponibilidade de crédito nos resultados do setor. Em 2014, o segmento teve faturamento de R$ 3,2 bilhões.

"Acreditamos que há espaço para expandir, porque o custo do produto se paga com ganhos de produtividade, mas a questão financeira é o que vai definir o crescimento do setor. Ainda não está claro quanto o governo vai disponibilizar e os produtores têm dificuldade de financiamento", afirma o presidente da Associação Brasilei- ra das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Clorialdo Roberto Levrero. A declaração foi dada durante o VI Fórum e Exposição Abisolo, ontem (15), em Ribeirão Preto (SP).

Ao DCI, o gerente-geral da Agrária Fertilizantes, Gustavo Branco, adotou um tom mais pragmático ao dizer que "não há uma definição clara sobre os investimentos, logo, não temos perspectivas concretas para o setor". Para ele, a melhor maneira de fazer negócios no momento é "garimpar" oportunidades de acordo com as condições do dia, baseado em fatores como o movimento cambial, por exemplo.

Sinais

Na última segunda-feira (13), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participou da feira Tecnoshow, em Goiás, e disse a jornalistas que "obviamente" haverá reajuste nos juros agrícolas, por um realinhamento natural do sistema macroeconômico. Entretanto, ponderou que a liberação de recursos do Plano Safra 2015/2016 e do pré-custeio seriam liberados o mais rápido possível, para a aquisição de insumos.

Na semana passada, o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, André Nassar, adiantou para a imprensa a possibilidade de aumento de R$ 20 bilhões no aporte, para R$ 176 bilhões, ante os R$ 156 bilhões ofertados nesta safra.

Entre os pequenos agricultores, entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) já recorreram ao governo federal para pleitearem a elevação de R$ R$ 6 bilhões no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que contou com R$ 24 bilhões para 2014/2015.

Até que estas decisões sejam concretizadas, o segmento de fertilizantes especiais articula outras estratégias para ganhar o mercado nacional.

Ações conjuntas

Durante o evento, o secretário estadual da Agricultura, Arnaldo Jardim, assinou um protocolo de ações conjuntas com a Abisolo para auxiliar a expansão do setor. "Faremos a divulgação dos fertilizantes especiais, o IAC [Instituto Agronô- mico] também terá um convênio com a Abisolo. Para o produtor, este é um custo compensado pelo aumento na produtividade", diz.

Segundo Levrero, estas linhas de adubos apresentam resultados entre 10% e 15% superiores aos fertilizantes convencionais, nitrogenados por exemplo. Além disso, ainda há o discurso sustentável, ou seja, produzir melhor e com sustentabilidade fez com que o segmento de orgânicos crescesse em grandes culturas.