SÃO PAULO - A Raízen Energia, maior fabricante de açúcar do mundo, deverá vencer na sexta-feira um leilão judicial de duas usinas de açúcar pertencentes à Tonon Bioenergia, após fazer a maior oferta por elas, afirmou à Reuters nesta quarta-feira uma executiva de um grupo de produtores de cana credor da Tonon.



Fabiana Valencise Olmedo afirmou que a oferta de 823 milhões de reais apresentada pela Raízen, uma joint venture da Cosan com a Shell, foi quase o dobro da oferta apresentada pelo único concorrente que participou do leilão.



O grupo de produtores é um credor estratégico da Tonon, que tem três usinas de açúcar e etanol no Brasil e que está em recuperação judicial. De acordo com o plano de reestruturação aprovado pelos credores em abril, a empresa venderá duas dessas usinas para pagar bancos, detentores de títulos e outros credores.



O leilão está programado para a manhã de sexta-feira, em Jaú, Estado de São Paulo. Mas Fabiana Olmedo disse à Reuters que os advogados já tinham acesso às únicas duas propostas apresentadas no prazo que ia até 13 de junho, e que a oferta da Raízen era a maior.



"O leilão provavelmente será apenas uma formalidade agora, a menos que alguma outra decisão judicial venha no caminho", afirmou a executiva.



A outra oferta foi apresentada pela Suem do Brasil, uma empresa local que embala e exporta açúcar. Suem ofereceu 434 milhões de reais pelas duas usinas.



A Raízen disse na terça-feira, em um comunicado ao mercado, que apresentou proposta pelos ativos da Tonon.



Na ocasião, a empresa disse que a conclusão do negócio, caso ganhe o leilão, dependeria de condições não especificadas.



A Raízen tem 24 usinas de açúcar e etanol no Brasil. Três estão na região onde estão localizadas as duas plantas da Tonon à venda, um detalhe avaliado pelos grupos de açúcar, que buscam concentrar as operações em "clusters" para reduzir os custos de transporte da cana.



As duas usinas da Tonon, Santa Cândida e Paraíso, têm capacidade anual combinada de moagem de cana de 5,7 milhões de toneladas. A Tonon pretende manter sua terceira usina, no Estado vizinho de Mato Grosso do Sul.



(Por Marcelo Teixeira)



Por Marcelo Teixeira