São Paulo - A baixa da taxa básica de juros (Selic) de 7,5% para 7% ao ano continuará impulsionando a migração de investidores de perfil moderado ou agressivo de fundos de renda fixa para aplicações de maior risco como ações ou multimercados.

Em novembro, os fundos de renda fixa já apresentaram resgate líquido de R$ 24,73 bilhões, enquanto fundos de ações mostraram captação líquida de R$ 3,234 bilhões; multimercados macro com R$ 2,133 bilhões de aportes; e multimercados de investimento no exterior com entrada de R$ 884 milhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

Na avaliação de profissionais de mercado consultados pelo DCI, a migração da renda fixa para outras aplicações de maior risco e possibilidade de retorno melhor tende a continuar em dezembro e no início de 2018 por causa do patamar baixo da taxa Selic.

"Essa movimentação vem acontecendo - e de certa forma - com a redução dos juros as perspectivas para o futuro são boas", afirma a consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco.

Com a decisão de ontem, do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de baixar a Selic em 0,5 ponto percentual para 7% ao ano, a rentabilidade líquida - descontado o imposto de renda sobre ganhos - de fundos conservadores (DI) e de certificados de depósito bancário (CDBs) de 30 dias e liquidez diária devem diminuir da faixa de 0,434% em novembro para 0,403% em dezembro.

No mês passado - com perdas da ordem de 3% em ações e fundos de ações - os fundos multimercados de capital protegido entregaram rentabilidade bruta de 0,88%. "Em momentos ruins e de incertezas, esses investimentos [de capital protegido] funcionam. Mas ainda são para aplicadores conservadores, pois no longo prazo, a proteção custa caro", respondeu Sandra Blanco.

O gestor de recursos da Mapfre Investimentos, Felipe Lima, notou que o investidor entrou em papéis da bolsa de valores e em fundos de ações mesmo com a volatilidade causada pelas idas e vindas da reforma da previdência. "A bolsa de valores (B3) deu um salto de volume em novembro", identificou o profissional.

Mas Lima alertou que o investimento em ações ou via fundos de ações depende do perfil de risco dos aplicadores. "Para quem quer segurança ou tem um horizonte de prazo menor, a bolsa [ações] tem maior risco", avisou o gestor.

Na visão do economista da Guide Investimentos, Ignacio Crespo Rey, os investidores estão migrando da renda fixa para outros ativos. "O investidor está um pouco mais otimista com a bolsa de valores", diz.

O economista comentou a procura por carteiras multimercados de investimento no exterior. "É mais uma forma de diversificação, em relação aqueles que só investem em ativos locais", observou.

Já o diretor de relações com investidores (RI) da Magnetis, Vinícius Maeda, lembrou que mesmo com a baixa da Selic, o retorno real está num patamar bastante similar. "A inflação caiu bastante. Selic em 7% e o IPCA próximo de 3% ainda garante um bom retorno real em comparação com outros países. Tivemos um momento [entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016] em que a Selic estava em 14,25% e a inflação ao redor de 10% em 12 meses", comparou.

Maeda orienta que pessoas físicas que tenham um horizonte de prazo muito curto fiquem em aplicações conservadoras. "Quem recebeu o 13º salário e tenha um prazo de três meses, pode ficar num fundo DI com no máximo 0,5% ao ano de taxa de administração; num CDB de liquidez diária; no Tesouro Selic. E para quem vai sacar em um mês (30 dias), a poupança", recomendou o diretor de RI. Em novembro, o estoque em CDBs evoluiu R$ 4,44 bilhões, segundo a base de dados da B3.

Captação da poupança

Enquanto o pagamento do 13º salário produziu resgates sazonais de empresas, prefeituras e estados de fundos conservadores para honrar compromissos com funcionários e servidores públicos, o recebimento desse recurso extra ajudou na captação líquida de R$ 3,92 bilhões da poupança no final de novembro, segundo nota do BC divulgada ontem.

Com esse aporte e o rendimento creditado de R$ 3,14 bilhões sem impostos, o patrimônio de pessoas físicas avançou para R$ 702,27 bilhões ao final de novembro.

Por outro lado, devido ao recuo dos juros pelo Copom - esses novos depósitos atrelados a 70% da Selic - vão render 0,40% ao mês em dezembro, ante 0,43% em novembro. Depósitos anteriores a 3 de maio de 2012 rendem 0,50%.