São Paulo - Apesar de mostrar sinalizações mais positivas do fluxo cambial, os investimentos estrangeiros no País ainda refletem cautela e baixa resposta à melhora econômica doméstica. Para 2018, a expectativa é de grande volatilidade ante o ambiente de corrida eleitoral.

Depois de dois meses de fluxo cambial positivo, o registro de novembro ficou negativo em US$ 636 milhões informou, ontem, o Banco Central. Já no acumulado do ano até o dia 1º de dezembro, o fluxo mostra resultado positivo de US$ 8,991 bilhões, contra o saldo negativo de US$ 1,836 bilhão, mostrado em igual período de 2016.

No canal financeiro registrado no mês de novembro, a saída líquida de dólares foi de US$ 2,444 bilhões, com aportes de US$ 36,341 bilhões e retiradas de US$ 38,785 bilhões.

Já no ano até 1º de dezembro, a saída líquida de dólares registrada pelo canal financeiro foi de US$ 37,746 bilhões (com entradas em US$ 430,005 bilhões e envios em US$ 467,751 bilhões).

De acordo com o coordenador do curso de Administração do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Eduardo Coutinho, mesmo que os saldos tenham se mostrado mais positivos nos últimos meses, o movimento ainda não reflete nenhuma melhora significativa.

"Nós não somos fornecedores de capital para empresas fora do Brasil, mas sim tomadores de recurso no exterior. Essas sinalizações podem, sim, significar que o capital estrangeiro começa a voltar com mais força para o País, mas ainda em volumes muito baixos do que o necessário", pondera o especialista.

A saída líquida de dólares reúne investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, e demais operações.

Nesse sentido, o movimento, segundo Coutinho, ainda tende a piorar ao longo de 2018.

"O ano que vem será de muita volatilidade, principalmente se as pesquisas eleitorais começarem a mostrar um País dividido", explica o professor. Ele pontua, porém, que a expectativa é otimista em relação à agenda econômica.

"Esperamos que a agenda se mantenha clara e esse direcionamento é determinante no fluxo cambial. Se mostrarmos uma política mais fundamentada, com um ambiente mais estável, o mercado com certeza responde positivamente", acrescenta Coutinho.

Comércio Exterior

Em relação ao comércio exterior, por sua vez, o saldo anual acumulado até 1º de dezembro ficou positivo em US$ 46,736 bilhões, fruto de US$ 129,18 bilhões em importações e de US$ 175,916 bilhões em exportações. Já no observado em novembro, o saldo ficou positivo em US$ 1,808 bilhão, com importações no valor total de US$ 12,662 bilhões e exportações de US$ 14,470 bilhões.