São Paulo - Há quase dez anos no mercado de investimento-anjo, João Kepler e Pierre Schurmann, por meio da Bossa Nova Investimentos, começaram a aportar em startups (empresas nascentes) norte-americanas. A meta é buscar até 200 dessas empresas nos Estados Unidos.

A Bossa Nova Investimentos juntou as dezenas de negócios que os dois parceiros tinham feito anteriormente e passaram a realizar aportes em conjunto, pensando em ter mais sucesso, principalmente nas saídas (quando o investidor vende sua parte).

Essa iniciativa, porém, deve manter os investimentos como "anjo" - quando uma pessoa física faz aportes de dinheiro e passa a ter participação numa empresa.

Segundo eles, os direcionamentos são focados num "buraco" existente no ecossistema de startups no Brasil, que entre o "anjo" e o chamado "séries A" - quando o empreendedor já está faturando e tem processos sólidos, mas precisa de uma injeção de capital para ganhar mercado.

"Praticamente nenhuma empresa se colocava como seed [semente]; ou eram venture capital ou anjo", diz Kepler, referindo-se a Bossa Nova como uma empresa que faz aportes seed, isto é, um meio termo entre o investimento-anjo, que é quando a startup ainda está em estágio inicial e o série A, com um movimento, geralmente, em torno de R$ 5 milhões.

Mercado

De acordo com Kepler, muitas empresas nascentes recebem recursos via o aporte "anjo" ou de aceleradora, e depois de um ou dois anos ainda não estão prontos para a primeira rodada dos investimentos mais altos (na série A).

Ao mesmo tempo, é comum, em eventos de empreendedorismo, a discussão de que startups precisam pensar em outros mercados e atingir o mundo. Desta forma, Kepler e Schurmann estão engajados em acompanhar este movimento mundial.

Depois de estudar o maior mercado empreendedor por um ano, eles passaram a ter presença física, por meio de um escritório em Miami, e realizar aportes em empresas locais. "Durante um ano mapeamos quem são os 'caras' nos EUA que estão acertando [tendo investimentos com retorno]. Nós tivemos reuniões e passamos a coinvestir com eles", revela Kepler.

Só no segundo semestre do ano passado, eles investiram US$ 1 milhão em 16 empresas, sendo a maior parte com outros investidores ou em fundos, como o do Founders Club, que é uma plataforma de investimentos privados. No entanto, dois aportes foram diretamente da Bossa Nova, na Blongg e Home61.

A Home61 é imobiliária on-line focada no aluguel de casas, apartamentos e condomínios em Miami, curiosamente o local mais procurado nos últimos anos entre os brasileiros. A Blongg, por sua vez, possibilita que usuários compartilhem seus automóveis com motoristas de Uber e Lyft.

Apesar do próximo ano pretenderem ter participação em outras 150 até 200 startups norte-americanas, Kepler e Shurmann afirmam que seguirão investindo nas empresas nascentes brasileiras. "Vamos continuar investindo aqui, para 2017 pensamos entre 40 e 50 [investimentos] no País", conta Shurmann ao DCI.

A Bossa Nova Investimentos está com um portfólio de 70 startups de segmentos variados. Segundo Shurmann, eles não têm preferência entre setores de atuação, mas preferem o modelo B2B (startups que vendem para empresas).

Acompanhamento

Desde o segundo semestre do ano passado, os investidores Kepler e Shurmann usam a tecnologia para acompanhar as dezenas de startups que tem participação. "Por meio do dashboard (um painel de controle), nós vemos informações como faturamento, número de funcionários, demissões", diz Kepler. Caso as métricas começam a apresentar resultados ruins, eles entram em contato com os empreendedores.

Esse sistema de monitoramento possibilita os investidores a acompanhar até centenas de empreendedores. Apesar de não realizar mentorias, como em incubadoras e aceleradoras, eles ajudam as startups a vender. "Conectar com potenciais clientes e temos uma comunidade interna", diz Kepler.