BRASÍLIA – Em vigor há três meses, a mudança no cálculo do rendimento da poupança não inibiu a busca por essa aplicação. Segundo dados divulgados há pouco pelo Banco Central (BC), a captação líquida da poupança (diferença entre os depósitos e as retiradas) somou R$ 8,252 bilhões em julho, o maior montante registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995.



O resultado só não foi maior que em dezembro de 2009, quando a captação líquida havia atingido R$ 9,175 bilhões. Com o desempenho do mês passado, os brasileiros encerraram julho com R$ 459,442 bilhões aplicados na poupança. Desse total, R$ 361,409 bilhões estão investidos na caderneta tradicional e R$ 98,033 bilhões, na poupança rural.



Desde que o governo mudou as regras da aplicação na caderneta de poupança, no início de maio, a captação líquida não diminuiu. Nos últimos três meses, os brasileiros depositaram R$ 19,630 bilhões a mais do que retiraram da caderneta, contra R$ 1,027 bilhão registrado de janeiro a abril.



Até o início de maio, a poupança rendia o equivalente à taxa referencial (TR) mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano). O governo então introduziu um redutor. Toda vez que a taxa Selic (que indica os juros básicos da economia) atingir 8,5% ao ano ou menos, os novos depósitos renderão a TR mais 70% da Selic. Os depósitos anteriores a 3 de maio continuam a ser remunerados pela regra antiga.



Ao anunciar a mudança das regras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que os novos critérios de remuneração da poupança permitirão que o governo continue a baixar os juros sem criar desequilíbrio no mercado financeiro. Isso porque, se o cálculo do rendimento não fosse alterado, os grandes investidores poderiam deixar de comprar títulos públicos (e, assim, financiar a dívida do governo) para aplicar na poupança.