São Paulo - A movimentação de investidores chineses e a maior demanda na área de recuperação judicial têm cooperado para que o Braga Nascimento e Zilio Advogados Associados mantenha a meta de crescer 25%.

De acordo com o sócio diretor da banca, Everton Monezzi, a estimativa ousada está apoiada em um serviço recente no escritório: o chamado de china desk. A nova área, instalada em agosto com a contratação do advogado chinês Tang Wei, auxilia os investidores estrangeiros a alocar recursos no Brasil.

"É um setor bastante interessante. Várias empresas têm vindo nos procurar, principalmente para projetos de infraestrutura", afirma Monezzi. Para ele, a carência da infraestrutura brasileira seria um dos fatores que desperta a atenção dos estrangeiros.

Apesar do apetite voraz pelos projetos, segundo o advogado, os chineses têm muitas dúvidas sobre a cultura e a dinâmica do mercado brasileiro. "O apoio jurídico acaba garantido uma segurança maior para eles", comenta o sócio.

Monezzi acredita também que a área de recuperação judicial, na qual o escritório tem investido, deve deslanchar neste ano devido ao cenário de desaceleração econômica. Ele explica que o mecanismo blinda as empresas contra processos de credores e garante tempo para uma reorganizar.

Venda cruzada

Uma terceira frente de atuação em 2015 é a venda de serviços dentro da própria base de clientes, revela o sócio. "Temos batido muito nesta tecla durante as reuniões", diz.

No ramo do direito, a venda cruzada é quando um escritório oferece para o cliente de uma área os serviços de outra especialidade. Mas como cada sócio tem uma especialidade esse intercâmbio exige maior esforço de gestão. "Essa integração vem desde o começo do ano", observa Monezzi.

De acordo com o fundador da banca, José Marcelo Braga Nascimento, as perspectivas para o negócio são positivas. "Não houve demissão. Pelo contrário, contratamos advogados de outras bancas". Braga tem como sócia a especialista Denise de Cássia Zilio. Juntos, eles dão nome à banca.

Ele ressalta que o advogado precisa ser proativo para oferecer novas possibilidades aos clientes . "Quem movimenta a roda é o advogado. Não é o juiz nem o promotor. O advogado é quem descobre as brechas."

Na visão Monezzi, a mensagem do fundador é clara: na calmaria é tempo bom para desenvolver novas teses jurídicas. "Quando ainda era estagiário, lembro bem da cena de o doutor Marcelo entrando na sala e dizendo: Everton, essa é a hora do advogado tentar criar coisas novas. Isso me marcou", lembra, que 17 anos atrás ingressou no escritório como estagiário. Por coincidência naquela época o Brasil também passava por uma situação difícil. Em 1998 e 1999 o crescimento econômico ficou muito próximo de zero.