São Paulo - Em poucos dias, pelo menos a primeira parcela do 13º salário deve cair na conta dos trabalhadores brasileiros. Em tempos de incertezas econômicas, entrevistamos especialistas para entender qual é a melhor maneira de utilizar esse dinheiro.



Apesar de se tratar de um bônus, o 13º deve servir para sanar problemas nas finanças pessoais de cada consumidor. Por isso a primeira coisa a se fazer é detectar dívidas e contas em aberto. O conselho, então, é unânime: se houver dívidas, elas devem ser o primeiro destino do dinheiro. Principalmente num cenário de juros altos como o atual, destaca Julio Leandro, superintendente do SerasaConsumidor.



Nas palavras da educadora financeira e coach Ana Paula Hornos, "neste caso [de inadimplência], vale a pena fazer um esforço extra, apertar um pouco 'o cinto' e fazer um final do ano mais econômico", afirma Ana Paula.



Stanlei Bellan, presidente da empresa MoneyGuru concorda com Ana Paula e diz ainda que não vale a pena guardar dinheiro enquanto se está endividado. Segundo ele, isso é "jogar dinheiro fora", pois os juros cobrados pelas dívidas são sempre maiores que o valor rendido na poupança.



Carolina Ruhman Sandler, especialista em educação financeira para mulheres, explica ainda que se trata de um bom momento para negociar o valor das dívidas e elenca um passo a passo aos consumidores: "Em primeiro lugar, é preciso listar todas as dívidas que possui em seu nome. As pessoas tendem a começar a pagar as dívidas menores, mas o certo é começar pelas mais caras, pois são elas que crescem mais rápido. Na hora de pagar, converse com o seu credor e negocie um desconto para pagar à vista, ou, se não der, para adiantar uma boa parte do pagamento. Como o banco também tem interesse que você pague, é possível encontrar uma situação mais vantajosa neste momento", explica.



Despesas sazonais



Em segundo lugar, já com as dívidas quitadas, o 13º salário deve ser utilizado em despesas sazonais que chegam em janeiro e fevereiro, como alguns impostos, matrícula e material escolares e outras anuidades. Tais despesas são sempre esperadas pelo consumidor e não podem cair no esquecimento com o final do ano.



Na visão de Ana Paula, o mais saudável é que o dinheiro seja visto como um valor destinado ao início do ano seguinte e não como uso imediato ao mês recebido.



"No planejamento financeiro ideal, essas despesas [de Natal] devem estar contempladas nos gastos correntes e preferencialmente antecipadas quando os custos ainda estão mais baratos", aconselha.



A economista Carolina explica ainda que "quem consegue economizar nos presentes e usar o restante do 13º nas despesas de janeiro, consegue começar o ano em uma situação mais saudável, sem correr o risco de cair no vermelho".



Poupança



A economia do 13º é a terceira etapa para o uso do dinheiro, caso ele não tenha acabado. O ideal é trabalhar no sentido de formar reservas para usá-las da maneira que parecer melhor a cada consumidor.



O conselho que Ana Paula deixa vai além do bônus de final de ano. "O ideal é que se guarde 10 a 20% ao mês do valor líquido do salário para formação de reservas, quer seja para um fundo de emergência, quer seja para realizar sonhos ou para aposentadoria. Se poupar todo mês no percentual recomendado, será suficiente provavelmente para alcançar todos esses objetivos. O 13º salário pode ser visto como contribuinte neste sentido", garante a economista.



Julio Leandro acrescenta ainda que o momento de juros altos que o país presencia, apesar de ser ruim para os inadimplentes, coloca numa boa posição quem está com as contas em dia. "O juros alto é interessante para quem tem dinheiro para poupar e aplicar", explica.



Sobre isso, Cláudio Pires, diretor da Mongeral Aegon Investimentos, aconselha que antes de investir é importante prestar atenção em alguns pontos, como saber quanto é possível aplicar por mês, definir um objetivo específico, comparar os produtos e as instituições, ficar atento à taxa de administração e buscar um especialista que possa orientar sobre riscos e taxas.