São Paulo - Em clima de final de ano, o número de ofertas públicas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acumulou e alcançou a cifra de R$ 28 bilhões. As empresas brasileiras aguardam um melhor momento em 2012 para voltarem ao mercado de capitais.
"A incerteza quanto à magnitude do impacto da crise externa no ambiente macroeconômico doméstico influenciou fortemente o perfil das captações das empresas brasileiras em 2011", avaliou Vivian Corradin, economista da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Até ontem, a CVM registrava 67 ofertas públicas em avaliação. Destas, apenas 3 são relativas ao mercado acionário primário: Isolux Infrastructure, Brasil Travel Turismo e Seabras Serviços de Petróleo; duas são do mercado secundário: a CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens, e a Brasil Travel Turismo; as demais ofertas são relativas ao mercado de renda fixa.
"Em resposta à volatilidade do mercado externo, as captações das companhias brasileiras concentraram-se no segmento de dívida no mercado doméstico", explica Corradin, em relatório de mercado de capitais da Anbima.
Para 2012, Corradin cita o desafio de alongar o prazo destes ativos, a desindexação ao Depósito Interbancário (DI) e a ampliação da base de investidores.
De fato, descontando as ofertas por meio de esforços restritos, via Instrução CVM 476, há duas ofertas de debêntures no órgão regulador pela Instrução CVM 400 - uma de R$ 20 bilhões, da Dibens Leasing, cujo líder é o Itaú BBA, e outra da Plascar Participações Industriais, de R$ 110,69 milhões, cujo líder da emissão é a Máxima Corretora.
Uma outra oferta que está em espera na CVM é liderada pela BB Investimentos para a emissão de títulos de investimento coletivo para a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, no valor de R$ 790,89 milhões.
Em fundos imobiliários, 11 ofertas estão solicitadas num total de R$ 1,39 bilhão na fila. A BB Investimentos lidera a primeira com R$ 750 milhões, e o Itaú Unibanco lidera outra no valor de R$ 150 milhões, mesmo valor da oferta da Cibrasec.
As demais oito ofertas de fundos imobiliários são lideradas por: BNY Mellon com R$ 100 milhões; RB Capital com R$ 90 milhões; Ourinvest com R$ 61,08 milhões; XP Investimentos com R$ 50 milhões; Petra Personal Trader com R$ 10 milhões; Rio Bravo Investimentos com R$ 9,119 milhões; e Socopa com R$ 5 milhões.
Há quatro ofertas públicas em espera para fundos de investimento em participações (FIP) num total de R$ 3,51 bilhões. As duas maiores emissões são lideradas pelo BTG Pactual com R$ 3 bilhões e BNY Mellon com R$ 400 milhões; e as menores pela Socopa e Rio Bravo Investimentos.
Para a emissão de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão previstas 10 ofertas. Duas já possuem líderes definidos, uma do BTG Pactual de R$ 150 milhões e outra do Itaú BBA com R$ 100 milhões.
As 8 demais ofertas de FIDCs ainda não definiram as instituições financeiras que serão líderes das emissões. O maior FIDC previsto é o Driver Brasil One, do Banco Volkswagen, no valor de R$ 1 bilhão.
Na sequência, aparecem os FIDCs: Empírica Sifra Star de R$ 225 milhões; BVA Master de R$ 195 milhões; NB Crédito Empresas de R$ 100 milhões; Sul Invest de R$ 45 milhões; Trademax Petroquímico de R$ 40 milhões e Primor de R$ 3 milhões.
Quanto à emissão de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), a CVM analisa os papéis de 17 ofertas públicas, no valor total de R$ 1,038 bilhão.
Das 17 ofertas de CRIs, uma é da RB Capital Securitizadora no valor de R$ 300 milhões. A Gaia Securitizadora responde por 4 ofertas, sendo duas de R$ 75 milhões cada, uma de R$ 46,63 milhões e outra de R$ 300 milhões.
Entre os novos players do mercado de securitização, a Octante Securitizadora solicitou duas ofertas, uma de R$ 99,6 milhões e outra de R$ 5,4 milhões. E a securitizadora Acrux solicitou uma oferta de R$ 8 milhões. As demais 9 ofertas de CRIs foram pedidas pela Brazilian Securities, sendo a maior operação de R$ 31,87 milhões e a menor de R$ 1,76 milhão.Ernani Fagundes
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