São Paulo - Todas as variáveis apontam para um salto na colheita de milho. Porém, a Agroconsult alerta que as vendas estão cerca de 10 milhões de toneladas atrás do patamar registrado nesta época da safra passada, o que dá margem para depressão no preço interno em 2017.

Durante apresentação de projeções para a expedição Rally da Safra, ontem, o diretor da consultoria, André Pessôa, disse a jornalistas que nos estados do Centro-Oeste, por exemplo, a comercialização antecipada do grão de 2016/2017 chegou a 10 milhões de toneladas. Em janeiro da última temporada, este volume representava 25 milhões. "A notícia é muito boa para o mercado de proteína animal, mas pode gerar uma grande preocupação aos agricultores", afirma o especialista.

Para a safra de verão, a Agroconsult aposta na produção de 30,3 milhões de toneladas, 17% superior à de 2015/2016, em decorrência de elevações tanto em produtividade quanto em área plantada. Outras 64,3 milhões de toneladas são esperadas para a safrinha e, caso isso se consolide, o País deve totalizar 94,9 milhões de toneladas.

"O consumo brasileiro do cereal foi de 58 milhões de toneladas no ano passado e deveria ter sido de 61 a 62 milhões, só não foi maior porque não tinha produto no mercado. Mesmo que esta demanda se repita, ainda sobrarão 30 milhões que precisam ser exportados e esse é o grande desafio", projeta Pessôa. Para ele, a logística e o mercado externo estão favoráveis, "mas temos que começar a vender", diz.

Soja

A estimativa da consultoria para a colheita da soja iniciada em dezembro - antecipando o calendário produtivo - é de 104,4 milhões de toneladas da oleaginosa, 8,5% a mais na comparação anual.

Segundo Pessôa, a previsão é de um volume recorde do grão brasileiro disponível para embarques neste mês, o que é bom, pois praticamente toda a produção norte-americana já foi absorvida pelos importadores. Assim, os preços em Chicago tendem a se manter em US$ 10 por bushel.