SÃO PAULO  -  Em consequência da quebra da safra norte-americana, as exportações brasileiras de milho vão bater o recorde e superar 15,5 milhões de toneladas no ano que vem, segundo projeção da consultoria Agroconsult.



No histórico de embarques do grão, o maior registro data de 2007, quando 10,9 milhões de toneladas - 22,1% a menos do que a estimativa - foram embarcadas, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa).



O mesmo tipo de alta, provocada pela seca nos Estados Unidos, beneficiou a balança comercial do Brasil em julho deste ano. O País exportou 1,7 milhão de toneladas de milho no mês passado - 12,6 vezes mais do que em junho.



Na comparação anual, o volume supera em mais de seis vezes o anterior - o País exportou 271,6 milhões de toneladas em julho de 2011. E corresponde a US$ 423 milhões em embarques, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).



"Se já tivemos, neste ano, problemas de logística, imagine no ano que vem", ponderou o diretor da Agroconsult, André Pessôa, que ontem participava do 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio, organizado pela associação homônima (Abag), que acontece em São Paulo.



Para ilustrar o déficit nessa área, o consultor disse que há filas de 45 dias para o desembarque de fertilizantes no Porto de Paranaguá (PR). E observou que, "a depender da logística", as exportações podem superar, em 2013, a projeção inicial de 15,5 milhões de toneladas.



Segundo Pessôa, a redução da oferta norte-americana (a maior do mundo) já afeta países importadores, como o México. O Brasil - com uma safra de inverno recorde e produção total de 73,7 milhões de toneladas - poderá cobrir demandas desse tipo.



Cerca de 90 milhões de toneladas de milho já foram perdidas para a estiagem, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).



"Nossa indústria de carnes já sente [o efeito]", acrescentou, referindo-se à escalada das cotações do milho e da soja, que pressiona o valor das rações.



Outra tendência prevista pela Agroconsult para o ano que vem, no País, é a perda de área de uma commodity para outra, em função da maior atratividade de preço da oleaginosa. Cerca de um milhão de hectares devem ser transferidos, diz a consultoria.



"A safra de milho vai ser grande ainda. E vamos ter uma safra de soja de 83 a 84 milhões de toneladas", prevê Pessôa. Nas estimativas da Companha Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil vai produzir 69,4 milhões de toneladas de milho e 66,37 milhões de toneladas de soja.



Um estímulo paralelo à sojicultora deve ser a nova semente da Monsanto, a Intacta RR2 Pro, recém-autorizada (em julho) pela União Europeia e pela Coreia do Sul. O presidente da multinacional no Brasil, André Dias, disse ao DCI que só falta a liberação de consumo na China para que as vendas comecem no País.



Negando "resistência" a novos transgênicos, Dias explicou que a demora chinesa se deve a trâmites burocráticos: "São os tempos da aprovação". Ele declarou que "a Monsanto não domina o setor de sementes - temos vários concorrentes fortes no Brasil".



A tecnologia da multinacional tem penetração superior a 80% no território da soja. Mas o executivo não fala em participação de mercado (market share), pois, "a tecnologia não é a Monsanto que vende, ela licencia a Intacta para várias empresas de sementes no Brasil, como, por exemplo, a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]".