São Paulo - Os resultados obtidos na cadeia de suínos desde o início deste ano mostram que há uma combinação entre aumento nas exportações, demanda interna aquecida e oferta ajustada. Fatores que posicionam a remuneração do produtor em alto patamar.

Pela segunda vez na série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mensurada desde 2004, o preço do animal vivo pago ao suinocultor superou a média de R$ 5 por quilo nas principais regiões fornecedoras. Alguns negócios foram realizados em torno de R$ 5,30, valor nominal que não era visto desde 2014.

"Com a crise de insumos para ração vivida no ano passado, muitos criadores saíram do mercado e agora esses animais estão fazendo falta. Quem ficou vai ganhar dinheiro", avalia o presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Mário Lanznaster. A Aurora é a terceira maior fornecedora de processados no Brasil e uma das grandes exportadoras da carne in natura do País.

Mesmo com o afastamento de suinocultores, o País produziu 3,7 milhões de toneladas no ano passado, 2,41% a mais do que em 2015, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Sendo assim, o produtor que permaneceu na atividade teve incremento nos negócios. Para esse ano, a expectativa da entidade é ganho de até 2% na oferta nacional.

A disponibilidade ofertada cresceu, mas ainda é considerada justa em relação à demanda. Lanznaster conta que os animais estão indo para abate mais jovens e, consequentemente, entre 8% e 10% mais leves para atender o consumo. "Quando há um desequilíbrio, as coisas tendem a se ajustar com preço e é isso que está acontecendo", explica. Os produtores independentes e criadores de leitões são os mais beneficiados em meio ao atual cenário de alta.

Lá fora, um movimento puxado pela Rússia, China e Hong Kong trouxe ânimo para as vendas brasileiras. Informações preliminares da ABPA mostram que a comercialização do in natura totalizou 54,5 mil toneladas em janeiro, volume 39,3% acima do registrado no mesmo mês de 2016.

Em receita cambial, o salto foi ainda maior: 76,2%, devido aos US$ 124,6 milhões faturados contra US$ 70,7 milhões de janeiro do ano passado. O faturamento em reais, por sua vez, foi achatado pelo dólar mais fraco e ficou em R$ 398,5 milhões, alta de 39% no mesmo intervalo avaliado.

"Sabemos que moeda não é uma coisa setorial, mas nosso equilíbrio para manter competitividade e a remuneração da cadeia é o câmbio de R$ 3,50", pontua o vice-presidente de mercados da ABPA, Ricardo Santin. Ontem, a moeda transitava entre R$ 3,10 e R$ 3,12. "O dólar está baixo, mas é melhor vender do que deixar produto excedente aqui", acrescenta o presidente da Aurora.

O executivo da ABPA destaca o retorno nas aquisições de players como Singapura, Angola e o vizinho Argentina. Para ele, o incremento no volume falou mais alto, mesmo no ambiente do real mais valorizado. No caso dos chineses, um fato relevante foi a expansão de casos de gripe aviária, impedindo o avanço da produção local e que colabora para a geração de demanda a demais proteínas do mercado.

Em vista de todos os fatores que remam a favor da suinocultura, Santin acredita no retorno dos criadores que deixaram a atividade. Caso isso ocorra, modificações na oferta só poderão ser observadas depois de seis meses, período necessário para a finalização de um ciclo da atividade.

Para os próximos 60 dias, Lanznaster aposta que os preços atuais devem perder força, pois também existe quem esteja segurando a venda para aproveitar melhor os custos menores com milho para ração, estratégia que não se sustenta por muito tempo. O cereal está até 14% mais barato.