São Paulo - Partindo da premissa de que o pior da crise já passou, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reviu para baixo o saldo de trabalhadores no varejo brasileiro este ano. Agora, a entidade prevê que o saldo ficará negativo em 230 mil postos, ante aos 279 mil negativos previstos em maio.

"A confiança do comércio aumentou nos últimos meses, mas ainda evidencia um pessimismo no setor. Essa confiança é o principal obstáculo à retomada das contratações e só vai se recuperar realmente quando os fatores que afetam o consumo, como o acesso ao crédito, por exemplo, se combinarem de forma mais favorável", diz o economista da CNC Fabio Bentes.

Nos últimos 12 meses, 3,52 milhões de pessoas foram demitidas - o menor nível desde dezembro de 2010, quando foram 3,5 milhões. O setor de móveis e eletrodomésticos foi o que mais eliminou vagas (-9,1%), seguido por livrarias e papelarias (-6%) e comércio automotivo (-5,9%). Em números absolutos, a maior perda é o segmento de vestuário e calçados, com redução de 59,9 mil vagas.

Quando analisado apenas o ramo atacadista no Estado de São Paulo foram perdidas 7.803 empregos formais no primeiro semestre do ano, resultado de 85.659 admissões e 93.462 desligamentos. Foi o maior saldo negativo já registrado para um primeiro semestre desde 2007, segundo a FecomercioSP. Na Região Metropolitana de São Paulo, o saldo de trabalhadores também ficou negativo no varejo de material de construção. Em julho foram eliminados 166 vagas, dado que, segundo o assessor econômico do Sincomavi, Jaime Vasconcellos, também sinaliza que o recuo foi menor que o visto nos outros meses.