São Paulo - Nem inflação, nem desemprego nem dólar. Para 51,% dos consumidores brasileiros o principal motivo para a atual crise no Brasil é corrupção e má versação de dinheiro público. Entre os que estão pessimistas com o futuro, a 'incompetência e impunidade dos políticos' foi citada por 52,4% dos entrevistados.

As afirmações fazem parte de um levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) que abordou as percepções dos brasileiros em junho. Segundo o estudo, 81,9% dos entrevistados avaliaram que a economia vai mal, e a Confederação destaca ainda que subiu a proporção de brasileiros que estão pessimistas com o futuro. Em junho deste ano - após as delações de Joesley Batista, um dos sócios da J&F - o indicador de confiança na economia futura caiu 5,2%, atingindo 51,1 pontos, muito próximo da zona que difere o pessimismo do otimismo (50 pontos). "O recuo foi observado tanto no quesito expectativas para a economia quanto no indicador de expectativas para a vida financeira", destaca o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

Para ele, a combinação do risco de novas instabilidades políticas e a atividade econômica ainda fraca, mesmo com inflação em queda e juros menores, contribuíram para o resultado de junho. "O processo de recuperação da confiança dos consumidores poderá ser lento e irregular, variando ao sabor do clima político", analisa Pinheiro.

No recorte do mau humor com a economia nos próximos seis meses 40% dos entrevistados disseram que o futuro será ruim para o País, sendo que mais da metade desses entrevistados (52,4%) culpam a impunidade de políticos e incompetência como os principais fatores para o País estar nesse momento de recessão econômica tão duradoura.

Para 13,8% dos entrevistados a razão do desalento com a economia é o continuo aumento do desemprego, enquanto 10% citaram que novos fatos da política (como os escândalos envolvendo o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves) conseguem desequilibrar a economia.

Finanças pessoais

Quando analisado a situação financeira dos entrevistados, a resposta também não anima muito. Segundo a pesquisa, 41,1% dos ouvidos disseram que a atual situação está ruim ou péssima, enquanto 45% colocam-se como regular e apenas 9% dizem que o momento atual das contas em casa está bom ou ótimo.

Entre os principais motivos para estar em uma situação desconfortável, o orçamento encolhido e a dificuldade de pagar contar foi o problema mais reportado por 31,3% dos ouvidos pela CNDL.

"O momento econômico difícil pelo qual o país atravessa influencia negativamente a vida financeira do brasileiro, obrigando que essas pessoas façam cortes no orçamento, consumam menos do que antes ou enfrentem dificuldades para honrar compromissos em dia", explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.