Artigo José Henrique Fabre Rolim Crítico de arte e presidente da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Artes
27/05/2015 - 14h31

Joan Miró e o surrealismo transcendental

Obra de Joan Miró
Obra de Joan Miró
Foto: Divulgação

Uma das mais aguardadas mostras do ano, "Joan Miró - A Força da Matéria" foi aberta no Instituto Tomie Ohtake (Avenida Faria Lima, 201, Pinheiros) reunindo 112 obras de grande expressão dos anos 30 e 80 entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e objetos. A primeira grande exposição de Miró no Brasil com custo de R$ 5milhões tem parceria com a Fundação Joan Miró de Barcelona, permanecendo até 16 de agosto seguindo depois para o Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis. A instituição paulistana promete para setembro a exposição "Frida Kahlo e as Mulheres Surrealistas no México" seguindo a linha de realçar a força da arte em confronto com o excesso de expressões conceituais constantes na produção atual.

Joan Miró (1893-1983) se vincula nas mais profundas tradições da arte catalã, unindo paixão e criatividade numa explosão de cores e formas construindo uma nova visão poética e analítica da complexidade humana desafiando os fluxos revolucionários do pensamento contemporâneo.

Tendo nascido em Barcelona, naquela atmosfera estimulante, Miró descobriu a pintura moderna por causa de uma exposição organizada por Ambroise Vollard, em 1916, mas incrivelmente se tornou protagonista do movimento surrealista, expondo pela primeira vez em 1918, depois de ter estudado com o grande arquiteto Gaudi.  No ano seguinte, em 1919, foi a Paris reencontrar Picasso, na Cidade Luz, na ocasião o escultor Gargallo lhe ofereceu seu atelier, na Rue Blomet.  Miró se uniu a Antonin Artaud, André Breton, Louis Aragon e Paul Eluard participando ativamente do movimento surrealista, em 1925. Aliás o fundador do movimento Breton dizia que Miró era o mais surrealista de todos os integrantes.

A sua obra caminhou para uma abstração, registrando um universo de símbolos compondo uma escrita pictórica. Foi influenciado pelo fauvismo, pelo dadaísmo como pelo cubismo.

Miró dedicou-se à cerâmica, à litografia e à gravura em metal especialidade que lhe deu oportunidade de ser premiado, em 1954, na Bienal de Veneza. Conquistou também o Grande Prêmio da Fundação Guggenheim, em 1959, pelos seus murais para UNESCO, em Paris.

A importância de sua obra é inegável, tanto que foi criada a Fundação Miró, em Barcelona, inspirada no modelo da Fundação Maeght, concretizada por Aimé Maeght (marchand e editor de arte) em Saint Paul de Vence no sul da França. A cidade de Barcelona cedeu o terreno e Miró construiu o prédio da Fundação com o seus próprios recursos projetado por José Luis Sert. A inauguração aconteceu em 1967, sendo a Fundação Miró uma entidade que atua em todos os campos da arte.

A obra de Miró reflete a sensibilidade de um mundo não somente surrealista, mas essencialmente lúdico, penetrando no âmago do inconsciente e dos signos da própria angústia do ser humano. Por não ter se enraizado só no surrealismo desenvolveu obras coesas ao fluxo das formas na sua pureza buscando sempre o essencial das cores. Os estudos e desenhos são um capítulo à parte além da curiosa dobradura de um guardanapo que lhe serviu de referência para criar uma escultura magnífica. A espontaneidade dos traços com a utilização das cores básicas deram à sua obra pictórica uma linguagem plena de vigor, paralelamente ao arrojo das formas escultóricas que eternizam uma concepção plástica ímpar pela criatividade dos detalhes sem falar do deslumbramento das gravuras que fazem os visitantes se envolverem na transcendência dos significados propostos pelo mestre.

As 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e 3 objetos que compõem a extraordinária mostra no Instituto Tomie Oktake permite ao espectador vislumbrar toda a genial expressão de Miró que teve uma relação passional com três lugares na Espanha, Barcelona, Mont-roig del Camp, onde se encontra a casa de campo de sua família e a ilha Palma de Mallorca, seu recanto predileto para criar suas pinturas e esculturas no período entre 1956 até sua morte em 1983. 

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