São Paulo - Casos confirmados de febre amarela do tipo silvestre, transmitida pelo inseto Haemagogus e Sabethes após picada em macacos doentes, preocupam autoridades de saúde pública em todo o Estado.

Ribeirão Preto já registrou um paciente com óbito pelo vírus e São José do Rio Preto identificou macacos com o vírus em área de abrangência urbana. Estado e prefeituras estão em alerta e já intensificaram as vacinações e as campanhas de conscientização.

Segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, Luzia Márcia, de outubro a dezembro do ano passado foram aplicadas 39 mil doses da vacina. A expectativa da secretaria é fechar o mês de janeiro com a aplicação de 70 mil a 80 mil doses.

A cidade confirmou em dezembro um óbito causado pela febre amarela do tipo silvestre. De acordo com informações da secretaria, o homem de 52 anos era da capital paulista, onde não há recomendação para a vacina, e morava há pouco tempo em Ribeirão Preto, em uma área próxima de mata.

Embora São José do Rio Preto não tenha registrado casos do vírus em humanos, a cidade está em alerta desde o ano passado, quando foram encontrados 16 macacos mortos com suspeita de febre amarela.

Em nota, a prefeitura diz que só um desses casos um teve confirmação para a doença. "Outros seis foram descartados e em nove casos não foi possível realizar o exame pelo estado de decomposição do animal", diz o texto.

No ano passado, o município de Bady Bassit, próximo a São José do Rio Preto, registrou uma vítima de febre amarela do tipo silvestre.

De acordo com a enfermeira responsável pelo setor de imunização da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de São José do Rio Preto, Michela Barcelos, o mais preocupante para o município é que foram encontrados macacos com o vírus em loteamentos não pertencentes à área rural, mas sim urbana. A versão urbana é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

"A gente se preocupa com a reintrodução do tipo urbano porque os vetores (Aedes aegypti) estão em grande quantidade em muitos municípios", diz.

Segundo a Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto, o município aplica em torno de 4 mil doses da vacina por mês. Em setembro do ano passado, quando foram confirmados casos de macacos com o vírus, o órgão chegou a aplicar 12 mil doses.

"Já observamos um aumento da procura pela vacina nos postos na primeira semana de janeiro. Ano passado, nos oito primeiros dias do mês, vacinamos cerca de 800 pessoas. Neste ano, dobrou para 1.600", diz Michela.

Prevenção

O especialista Reinaldo Menezes, consultor científico sênior da Bio-Manguinhos/Fiocruz, explica que a febre amarela é cíclica e acontece de eclodir com maior intensidade em alguns períodos. A última eclosão do tipo silvestre aconteceu em 2009. Mas o tipo urbano não é registrado no Brasil desde 1942.

"A febre amarela é um doença que não é erradicada. O ciclo dela sempre vai existir. Os últimos fatos só nos mostram a importância da vacinação porque o vírus está circulando", diz.

Para Menezes, existe sim o risco da reintrodução do vírus do tipo urbano, por isso é preciso que Estado e prefeituras façam ações de conscientização sobre a vacinação.