As instituições de ensino superior disponibilizaram 697 mil vagas com mensalidade reduzida no interior de São Paulo para o primeiro semestre de 2018, mais de três vezes a quantidade que foi ofertada em igual período do ano passado (197 mil).

Por outro lado, o número de bolsas oferecidas na Grande São Paulo caiu 18%, para 367 mil. Os dados fazem parte de um levantamento da empresa Quero Bolsa. Segundo o porta-voz da companhia, a aposta no Ensino a Distância (EAD) e a crise econômica são os principais motivos desse fenômeno.

“O movimento de concessão das bolsas acompanha a estratégia comercial das universidades, agora mais ligada à expansão do EAD para cidades menores do País. Nelas, muitas vezes não compensa a construção de um polo para o ensino presencial”, afirma Pedro Balerine, diretor de inteligência do Quero Bolsa.

Segundo ele, a aposta no EAD, menos custoso que os cursos presenciais, se insere no contexto de recessão. “Por causa da crise, as faculdades também reduziram o corpo docente e até a estrutura física dos campus”, acrescenta.

Balerine diz ainda que as novas regras do Fies, que tornaram o programa de financiamento estudantil menos acessível, também causaram a diminuição da oferta de bolsas na Grande São Paulo em 2018. “Antes da crise, o Fies tinha poucas restrições e estruturava o sistema de bolsas. Agora, ele passou a ser mais complementar para as universidades.”

Outro motivo para o deslocamento das mensalidades mais baratas para o interior paulista, de acordo com a análise da Quero Bolsa, é a busca das faculdades pela redução da ociosidade nos cursos presenciais. Segundo o Censo da Educação Superior de 2016, 52,9% das vagas oferecidas nessa modalidade não foram preenchidas naquele ano.

Diretor executivo do sindicato que representa as mantenedoras do ensino superior (Semesp), Rodrigo Capelato afirma que o avanço das bolsas no interior também é explicado pela concorrência das faculdades pelos alunos. “Com a crise, a demanda das pessoas pelos cursos universitários caiu. A oferta de bolsas tenta atrair os alunos de volta.”

Sobre as mudanças no Fies, Capelato afirma que muitas universidades podem deixar de usar o programa por causa da nova forma de pagamento, o que também afetaria a concessão de bolsas.

Entre as alterações sancionadas no final do ano passado pelo presidente Michel Temer, está a necessidade de as instituições de ensino superior realizarem um aporte maior para o fundo garantidor que visa cobrir eventuais calotes dos alunos no Fies.