São Paulo - Um sistema inovador que prevê transformar as estações de tratamento de grandes cidades europeias em biorrefinarias urbanas foi apresentado durante a 27ª Feira Nacional de Saneamento Ambiental (Fenasan). O Smart Plant é uma ação pioneira de gerenciamento de redes de esgoto que, até 2020, estará pronto para ser replicado na Ásia, Oriente Médio e América Latina.

Desenvolvido na União Europeia, na Universidade de Verona, o modelo, além de permitir o reúso da água, permite recuperar recursos como celulose, biopolímeros e fertilizantes. "A ideia central é mostrar como as indústrias químicas podem recuperar produtos e matérias-primas e reutilizá-los sem prejuízo para a cadeia produtiva, gerando economia financeira e benefícios incalculáveis para o planeta", explicou o especialista em biotecnologia ambiental da Universidade de Verona e coordenador do Smart plant, Francesco Fatone. O projeto teve investimentos de 10 milhões de euros e envolve os países da Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Alemanha e Israel. O processo de teste do novo sistema está dividido em três etapas. A primeira, que se estende até 2018, é de desenvolvimento e demonstração tecnológica, a segunda, de recuperação dos recursos e a terceira, de colocá-los efetivamente no mercado. "Trata-se de uma grande ação de inovação e pesquisa que vai sair dos laboratórios científicos para ser trabalhada em larga escala não apenas do ponto de vista tecnológico, mas para melhorar a vida das pessoas", afirmou o especialista. Segundo ele, o projeto vai adaptar - e não criar - sistemas de gerenciamento de esgotos municipais já existentes e terá quatro pilares centrais: a economia circular, o monitoramento robótico, a gestão de resíduos urbanos e a integração dos sistemas de tratamento de águas.

Defeitos na infraestrutura

Fatone apontou que embora a Região Metropolitana de São Paulo tenha um sistema de saneamento avançado, a qualidade da água ainda é comprometida por defeitos na infraestrutura para a coleta e transporte de águas residuais, efluentes industriais e pesticidas, em especial nos bairros mais carentes. De acordo com o especialista, São Paulo possui um cenário urbano altamente heterogêneo e, por isso, necessita de um sistema único e centralizado para o tratamento de águas residuais. Fatone acredita que a RMSP pode se beneficiar do sistema europeu. "Na Itália cerca de 18 mil estações de tratamento de águas residuais estão em operação, sendo que muitas destas plantas são pequenas e descentralizada, mas a maior parte das águas residuais do município (cerca de 60%) é tratada em grandes e avançadas estações de tratamento. A Itália tem uma longa experiência em soluções de saneamento que podem servir de modelo ao cenário brasileiro", afirmou Fatone. A Itália vai investir, nos próximos 30 anos, cerca de 30 bilhões de euros no tratamento de esgotos municipais.