São Paulo - Com indicadores municipais sobre áreas de educação, saúde, assistência social, meio ambiente, entre outros, a ong Rede Nossa São Paulo criou o Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, divulgado nesta terça-feira (5).

Os dados oficiais identificam a qualidade de serviços públicos nos 96 distritos da capital paulista. Em 2016, por exemplo, 21 crianças de até um ano de idade morreram na Sé contra uma em Perdizes. Segundo o cálculo do Mapa, portanto, a mortalidade infantil de bebês de até um ano no distrito da região central é 20,97 vezes maior na comparação com o bairro nobre. O distrito de Artur Alvim, na zona leste da capital, é o segundo pior no índice: uma criança que reside na região tem 18 vezes mais chances de morrer antes de completar um ano. Marsilac, no extremo sul, é a terceira área pior: 16,9 vezes.

Cinco anos

Também na região central se localiza o pior distrito no índice que considera óbitos infantis de até 5 anos. No Pari, a cada mil crianças, 27 crianças morreram em 2016. Por outro lado, em Perdizes, uma faleceu antes de completar cinco anos. Ou seja, a chance de uma menina ou menino superarem os cinco anos de idade é 17 vezes maior no bairro nobre da zona oeste do que no distrito central do Pari.

Segundo o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, quase a metade das 1,5 milhão de crianças de São Paulo vivem nos 26 piores distritos da cidade. "Essas crianças, nossa riqueza, não estão sendo atendidas ou cuidadas da maneira como idealizaríamos e gostaríamos, com o olhar que seria necessário para dar desenvolvimento físico e emocional para essas crianças. O Mapa acaba mostrando dados que corroboram com esse olhar."

Abrahão destaca ainda que, segundo o Mapa, há bairros com 50% das residências sem um banheiro e que 32% das crianças de até cinco anos em Marsilac, moram em casas com renda per capita menor do que um salário mínimo. "As condições são precárias. O Mapa nos traz esse olhar", diz. A desigualdade também se destaca em serviços ligados à educação.