São Paulo - A Prefeitura de Santos apresentou ontem (6) projeto-piloto que visa reduzir a erosão causada pelo avanço do mar, a popular "ressaca", na orla. A Ponta da Praia, bairro que abriga uma das principais atrações da cidade, o Aquário, está entre as áreas afetadas.

Os trabalhos começam no próximo dia 15 e tem previsão para terminar até o final de janeiro de 2018. O projeto de contenção das marés nesse trecho da praia visa solucionar esse problema antigo na região, que tem como face mais visível a destruição das muretas da orla.

Segundo o engenheiro responsável pela proposta, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Ernesto Tabuchi, o projeto consiste basicamente na implantação longitudinal e transversal de 49 "bolsas" ou geoformas, de material sintético (tecido geotêxtil, de baixo impacto ao meio ambiente) que serão preenchidas com areia da praia. Tal material formará uma barreira submersa nas águas, a fim de minimizar a energia da onda que bate nas muretas.

Serão montadas duas estruturas submersas: uma a partir da mureta da orla, na altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima, que segue mar adentro por 275 metros, e outra paralela ao muro, em direção ao Canal 6, com 240 metros de extensão. Tabuchi explica que, na prática, o procedimento será "colocar um material geotêxtil, como um tapete no fundo do mar, onde serão assentadas a bolsas", que serão preenchidas com uma bomba d'água, jogando água e areia para seu interior.

Intervenção

Tabuchi ressalta ainda que a nota técnica, que embasou o projeto, foi realizada por professores da área da Universidade de Campinas (Unicamp), servindo para aprofundamentos nos estudos científicos sobre essa intervenção inédita no Brasil. Explicou ao DCI que o projeto não havia sido implementado anteriormente, apesar da antiga demanda, porque a Prefeitura não tinha disponibilidade para fazer a contratação de uma consultoria e praticar o projeto, além de não ter recursos.

Ao todo, a iniciativa custará aproximadamente R$ 3 milhões, providos pelo Ministério Público Estadual. Tabuchi explica que, essa primeira etapa pilota terá aproximadamente dois anos de análise, junto à equipe da Unicamp.

"Vamos monitorar os resultados dessa aplicação durante dois anos, com uma série de estudos científicos. Depois disso, iremos definir se vale a pena ou não implementar uma estrutura definitiva. Seriam outros materiais, com a mesma função."

Impacto

Ele ressalta ainda a necessidade da experimentação. "Se alguma consequência ambiental acontecer, essa estrutura é facilmente removível", argumenta Tabuchi. Apesar disso, a expectativa é de o projeto seja bem-sucedido. "O sistema tem baixo impacto ambiental, pois é uma estrutura que ocupa pouco espaço, não limita o fluxo hídrico e as pessoas não serão impedidas de se deslocar. Temos base científica que aponta redução da erosão e impactos na estrutura urbana".

Ele lembra ainda que a implantação do projeto exige condições meteorológicas específicas, e um período sem ressacas na praia, como é o caso da época agendada. Para o preenchimento das geoformas serão necessários 7 mil metros cúbicos de areia, material esse que já começou a ser retirado do Canal 2 e depositado no trecho entre o Canal 6 e o Aquário Municipal.