São Paulo - O sócio diretor da Tendências Consultoria e ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola criticou, na última sexta-feira, a condução fiscal dos primeiros meses da equipe de Michel Temer.

Durante evento realizado pelo escritório Nelson Wilians & Advogados Associados, em São Paulo, o economista comentou que a atual gestão utilizou o fato de ser um governo interino como uma justificativa para suas ações, as quais, na opinião de Loyola, mostraram-se um discurso frustrante.

"Prometeram mais do que podiam, como os reajustes salariais. Esses aumentos de gastos poderiam ser evitados. O que se espera é um ajuste fiscal que leve as contas públicas para um patamar confortável [redução da dívida pública e superávit primário]", disse a uma plateia formada por advogados e empresários.

Por outro lado, ele analisou que a "interinidade" da atual gestão - com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff - traz fraqueza política, ao dificultar os ajustes que a economia precisa (como as reformas estruturantes e aprovação do limite para o crescimento anual das despesas públicas federais).

Passado

Ao iniciar seu discurso, o ex-presidente do BC enfatizou os "erros" cometidos pela presidente afastada. "Foi uma balela o governo ter apontado a situação internacional como o motivo para a crise brasileira. Economias semelhantes à nossa, como Peru, Chile e Colômbia, conseguiram 'navegar' sem serem tão prejudicadas pelos acontecimentos mundiais", avaliou o economista.

Na opinião dele, a gestão de Dilma Rousseff, a partir de 2011, abandonou os programas de reformas econômicas que sustentariam o desenvolvimento econômico e criou obstáculos para os negócios em geral do Brasil, favorecendo alguns grupos empresariais com desonerações tributárias.

"Com a troca de mandato, a confiança de empresários e de consumidores está cada vez menos negativa o que influenciou nas perspectivas de que haverá crescimento econômico no curto prazo. Desta forma, na Tendências, acreditamos que o PIB [Produto Interno Bruto] irá avançar em 2017 e com mais força em 2018, em torno de 2,3% a 2,5%", projeta o economista.

No entanto, Loyola lembrou que o momento político do Brasil ainda é caracterizado por uma fragmentação, e uma chance de o governo Temer, se for concluído o processo de impeachment, ser uma gestão de presidencialismo de coalizão (o presidente tenta construir uma maioria do Congresso para aprovar medidas, por exemplo), como foi com o governo de Fernando de Henrique Cardoso - no total, o mandato foi de 1995 a 2002.