São Paulo - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e a Caixa Econômica Federal serão os operadores brasileiros do Fundo de Cooperação Brasil-China, que deve contar com aporte de US$ 20 bilhões.

Representantes dos dois países compareceram ao lançamento do fundo, ontem, no Fórum de Investimentos Brasil 2017, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Do total de US$ 20 bilhõesprevistos, US$ 15 bilhões devem ser desembolsados pelo Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund) e outros US$ 5 bilhões, pelos operadores brasileiros.

Segundo Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o instrumento financeiro começa a funcionar hoje, em um canal no site do ministério. Lá, podem ser apresentados projetos que se candidatem ao apoio do fundo.

O aporte planejado pelos países, que deve priorizar o investimento no setor de infraestrutura, será "constituído gradualmente, na medida em que os projetos sejam aprovados", disse Oliveira.

Embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang disse que o fundo vai ampliar a capacidade produtiva dos países e "injetar energia" no projeto de industrialização brasileiro.

Já Gilberto Occhi, presidente da Caixa, destacou a "carência" de investimento, no Brasil, em vários ramos da infraestrutura, como energia, saneamento e mobilidade urbana, que poderão ser favorecidos pelo projeto em conjunto com os chineses.

Pouco após a apresentação do projeto, entretanto, especialistas demonstraram pessimismo ao falar sobre a atração de investimentos para o Brasil. Durante debate sobre o marco regulatório, Marcos Lisboa, presidente do Insper, indicou que existe "absoluta insegurança" em relação às legislações trabalhista e tributária.

"Quando é aberto um novo negócio, não se sabe qual imposto vai ser quais impostos serão cobrados e qual a interpretação da lei que será usada, já que ela muda de Fisco pra Fisco no País", disse ele. "Faltam marcos regulatórios que incentivem o investimento duradouro em infraestrutura.".

Sinais da retomada

Também presentes no evento, representantes do mercado financeiro mostraram visão mais otimista quanto à situação da economia brasileira.

Presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli afirmou que, "de janeiro até aqui", houve crescimento no desembolso de crédito, tanto para pessoa física (25%), quanto para pessoa jurídica (20%).

Já o CEO da Credit Suisse Brasil, José Olympio Pereira, destacou a "volta" dos investidores de curto prazo para o País. "A boa notícia é que, desde o segundo semestre de 2016, o mercado de capitais funciona e as aberturas de capital, que não avançavam desde 2013, estão acontecendo".

Presidente da JPMorgan, José Berenguer comparou a situação do Brasil à de outros países em desenvolvimento. "Mais da metade do PIB [Produto Interno Bruto] mundial estará nos emergentes daqui a alguns anos. E o Brasil é o emergente com estrutura financeira mais semelhante à dos desenvolvidos". Ele ainda ressaltou o gargalo em infraestrutura no País, uma "tremenda oportunidade" para investidores, para justificar o interesse do banco.

CEO da Corporação Interamericana de Investimentos, James Scriven também destacou a aposta do mercado no setor de infraestrutura. "É muito bem vista, principalmente nos ramos de transportes, como aeroportos e rodovias, e energia renovável", disse ele.

Sobre a incerteza em relação ao futuro das reformas do governo, colocadas em risco após a divulgação da conversa entre o presidente Michel Temer o empresário Joesley Batista, os executivos destacaram que a reação do mercado após o acontecimento foi positiva.

Parcerias Apex-Brasil

O presidente da Agência Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, assinou, ontem, parcerias com a Superintendencia de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil - São Paulo (American Chamber of Commerce for Brazil).