São Paulo - O Chipre busca atrair investimentos brasileiros, com vistas a expandir os setores imobiliário e turístico. Em troca, o país oferece retorno alto e dupla cidadania, apontam autoridades e especialistas entrevistados pelo DCI.

De acordo com o embaixador cipriano no País, Haralambos Kafkarides, o desenvolvimento do Chipre passa diretamente pelo fomento de investidores no mundo, incluindo o Brasil.

"No setor imobiliário, estão disponíveis uma ampla rede de oportunidades de desenvolvimento de grande porte, desde empreendimentos residenciais até comerciais. O investimento no Chipre, com o seu crescimento significativo após a recuperação bem sucedida da recessão e o uso da moeda oficial da União Européia [o euro], significa um menor risco para o investidor", aponta o embaixador Kafkarides.

A possibilidade de adquirir a cidadania cipriana é uma das ferramentas que o país utiliza para buscar o interesse de alguns investidores. Para ter o "Citizenship by Investment" (Cidadania por Investimento), o interessado deverá investir, no mínimo, cerca de 2,5 milhões de euros, além de comprar uma residência permanente na nação europeia e manter a aplicação por um período longo, de três anos.

Segundo o advogado da Zaroni Advogados, Raphael Zaroni, a dupla cidadania é uma boa ferramenta para chamar a atenção de quem possa investir no setor imobiliário daquele país. "Neste momento, vejo muitos procurando países para morar, e o Chipre pode ser um lugar bacana, com bom clima, beleza natural e onde todos falam inglês. Os preços para mercado imobiliário ainda estão num patamar muito bom, com potenciais de valorização altos. O potencial de investimento nesse setor pode ser bem grande", avalia.

No próximo dia 15 de agosto, inclusive, irá ocorrer o evento "Chipre, um país de oportunidades", no Rio de Janeiro, na sede do escritório Zaroni Advogados, cujo objetivo é discutir as oportunidades oferecidas pela ilha localizada no mar Mediterrâneo.

Zaroni adianta, no entanto, que a possibilidade de se colocar dinheiro no país é restrita. "É para investidores com um bom potencial de renda, que podem correr o risco cambial", explica o advogado.

Ainda segundo o especialista, o motivo do Chipre estar buscando investidores ao redor do mundo é a ausência de capital local e o pequeno tamanho daquele país, que dificultam esse maior desenvolvimento. O principal segmento no Chipre, atualmente, é o transporte mercantil marítimo, podendo ser considerado uma das referências no continente europeu nesse setor.

O investimento pode ser feito diretamente por meio de fundos com ativos de empresas, em imóveis prontos ou que estão em construção.

"Países alternativos"

Dentro do contexto "pequeno" do Chipre, o investimento em "países alternativos" pode ter boas expectativas de rentabilidade. "Similar ao Chipre vejo também a Tunísia, com boa capacidade de atrair investimentos, mesmo que em outro segmento", avalia Zaroni.