Direto da China Adriane Castilho Editora de Abertura
19/06/2017 - 08h36 | Atualizado em 19/06/2017 - 13h03

Comércio exterior entre Brics ainda enfrenta obstáculos, diz Aloysio

Defesa do livre comércio, acordo de Paris e combate ao terrorismo estão entre os temas de reunião de ministros do bloco em Beijing

Os chanceleres do Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia em coletiva após reunião em Beijing
Os chanceleres do Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia em coletiva após reunião em Beijing
Foto: Adriane Castilho/DCI

BEIJING - O bloco formado pelos países da sigla Brics já avançou em pontos da agenda econômica como a cooperação financeira, mas ainda enfrenta desafios para adensar as relações comerciais entre si, disse nesta segunda-feira o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, após encontro com seus pares das demais nações do grupo em Beijing, China.

Aloysio enfatizou os avanços obtidos na área financeira, como o estabelecimento do Banco dos Brics e o acordo de contingenciamento que permite oferecer maior estabilidade financeira aos países do bloco. Entre os desafios pendentes, apontou o ministro, estão o de eliminar obstáculos ao livre comércio entre as economias do grupo, criar modalidades práticas para facilitar uma maior colaboração comercial e também regras que favoreçam os investimentos intra-Brics, de modo que a integração entre os países do bloco seja capaz de proporcionar inclusive maior segurança jurídica para os investidores.

Os ministros de Relações Exteriores de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul divulgaram um comunicado conjunto após a reunião de trabalho reafirmando consensos já estabelecidos no bloco, como o que prega a necessidade de uma ampla reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), inclusive do seu Conselho de Segurança - um pleito declarado do Brasil. O comunicado diz que China e Rússia reiteram a importância que dão ao Brasil, à Índia e à África do Sul e apoiam sua aspiração de exercer maior papel na ONU.

O texto reitera o posicionamento conjunto do bloco a respeito de várias questões globais, como o apoio ao multilateralismo e ao papel central atribuído à ONU nas relações internacionais, a importância de se implementar a agenda de desenvolvimento sustentável para 2030 e o suporte para uma globalização econômica equilibrada. Tal apoio se manifestaria na rejeição ao protecionismo e na promoção do comércio exterior e dos investimentos, segundo os ministros.

O tom do comunicado, que menciona uma economia mundial interconectada, lembra o discurso apresentado pelo governo chinês durante o fórum de cooperação internacional 'Um Cinturão, Uma Rota', realizado em Beijing em meados de maio.

O texto divulgado nesta segunda-feira faz referência ainda a outros temas de alcance global, como o acordo de Paris e a alegada necessidade de todos os países aderirem à iniciativa de combate aos efeitos das mudanças climáticas. O comunicado diz ainda que o bloco deplora o terrorismo e apoia a solução diplomática de conflitos como os que atingem a Líbia e a península coreana. Em relação à Síria, diz que a única solução duradoura seria um processo conduzido pelo próprio país, capaz de assegurar sua soberania, independência e integridade territorial, em sintonia com a Resolução 2254 da ONU, de 2015.

Em entrevista coletiva, a chanceler da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, destacou a cooperação Sul-Sul e a importância de as vozes dos Brics estarem sendo ouvidas. Fez ainda um apelo para maior engajamento dos países contra os efeitos decorrentes da mudança climática, tema também mencionado por Aloysio. O ministro brasileiro afirmou que os Brics representam parcela importante da população e da produção mundial e por isso têm influência na questão climática.

O chanceler da Índia, Vijay Kumar Singh, fez referência ao terrorismo como uma ameaça global e defendeu ações coordenadas para combater esse mal, dizendo que há consenso entre os Brics de que todo ato terrorista deve ser condenado. O tema também foi mencionado pelo ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que disse que o grupo de trabalho antiterrorismo dos Brics já teve dois encontros e que há entendimento mútuo sobre a necessidade de cooperação, inclusive com maior troca de informação entre os países. Em julho haverá um novo encontro específico para definir os parâmetros de atuação nesse assunto, acrescentou.

O ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que uma maior cooperação entre os Brics vai colaborar para um ambiente internacional pacífico e para a estabilidade mundial. O combate ao terrorismo e aos efeitos da mudança climática são parte desse esforço, segundo o chanceler chinês.

No final da entrevista, questionado sobre o ambiente econômico atual distinto da euforia vigente no momento em que a sigla Brics foi cunhada, há cerca de dez anos, Wang admitiu que 'algumas vozes questionam' a relevância do bloco. Acrescentou, no entanto, que isso é um sinal de que a comunidade internacional está atenta aos Brics.

A reunião dos ministros foi seguida de um encontro do grupo com o presidente da China, Xi Jinping. No início do encontro, que depois prosseguiu a portas fechadas, Xi fez referência ao momento atual como o início do que deverá, na sua visão, ser uma década de ouro para os Brics.

A frase tem tom semelhante ao da expressão "parceria fortalecida para um futuro mais brilhante", slogan definido para a décima reunião de cúpula dos Brics, que acontecerá em setembro na cidade de Xiamen, na província de Fujian, no Sudeste da China. Xiamen foi devastada por um tufão em 2016 e reconstruiu parte da sua infraestrutura para receber a reunião neste ano em que a presidência dos Brics cabe à China, no sistema rotativo adotado pelo bloco. 

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)

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