BRASÍLIA (Reuters) - O rebaixamento da nota de crédito brasileira pela agência de classificação de risco S&P não é um evento político e não deve afetar candidaturas nas eleições deste ano, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliando que a investida já tinha sido precificada pelos mercados.

"Não se deve dar um peso excessivo a isso, transformando isso num evento político do país", afirmou o ministro em coletiva de imprensa.

"Não é. É um movimento técnico que já houve para baixo, já houve para cima, é normal e isso está claramente definido. E, portanto, não acredito que isso afete a perspectiva política do Brasil ou candidaturas ou uma série de candidatos", disse.

O ministro lançou mão deste argumento em diversos momentos durante a entrevista e buscou mostrar otimismo em relação à viabilidade das medidas fiscais e aprovação da reforma da Previdência, apesar da resistência do Congresso em votá-las ter sido indicada pela S&P como um dos fatores para o rebaixamento.

Em outra frente, o ministro adotou um tom conciliador quando indagado sobre a reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à diminuição do rating brasileiro.

Na véspera, Maia avaliou que o governo havia se enfraquecido muito após denúncias contra o presidente Michel Temer e que não era "correto" transferir aos parlamentares a responsabilidade de a reforma da Previdência não ter sido aprovada.

"Estou confiante que as diversas lideranças do Congresso e do Executivo estão trabalhando juntas e vão continuar trabalhando juntas", disse Meirelles nesta sexta-feira.

O ministro também afirmou acreditar que "quanto mais candidatos melhor" ao ser questionado se eventual candidatura de Maia à presidência da República poderia atrapalhar a votação de medidas para o rearranjo das contas públicas.

"Acho que é absolutamente legítimo, normal e saudável que líderes relevantes do Brasil possam considerar a possibilidade de postular a Presidência da República. É parte importante da democracia", disse.

Maia e Meirelles têm se movimentado como potenciais presidenciáveis de centro, sendo que o deputado fez uma série de declarações mais incisivas em relação ao ministro da Fazenda nos últimos dias, criticando o programa do PSD em que Meirelles foi protagonista e afirmando que o ministro deveria se dedicar integralmente ao comando da pasta para não prejudicar a economia.

Nesta tarde, Meirelles voltou a dizer que irá decidir sobre eventual candidatura apenas no início de abril.

"Então naquele momento eu vou tomar uma decisão e os fatores que podem levar a essa decisão são os mais variados. A começar por disponibilidade pessoal e outros fatores todos relacionados a toda questão da atividade econômica e também de outras questões para o país", disse.

 

(Por Marcela Ayres, com reportagem adicional de Mateus Maia)