SÃO PAULO - Fazer uma startup chegar madura ao mercado é a missão geral das aceleradoras de negócios. Mas cada uma emprega critérios e metodologias próprias para reunir empreendedores de determinado perfil e prepará-los para aprimorar a gestão, lapidar o produto ou serviço a ser lançado e atrair investidores que apoiem o projeto.



Surgidas no fim dos anos 90 nos Estados Unidos, essas empresas que ajudam empreendedores a dar escala aos seus negócios atuam no Brasil há menos de uma década. Nos últimos anos, ganharam espaço também as que são voltadas especialmente a áreas de impacto social, como educação, saúde e moradia.



Diferente das incubadoras, direcionadas a projetos em fase de pesquisa e em geral ligadas a universidades, as aceleradoras são focadas em negócios já mais estruturados, aptos para ganhar espaço no mercado e, em curto prazo, proporcionar o retorno do capital investido.



"É comum aceleradoras adquirirem participação acionária nas empresas e estreitarem a relação entre startups e investidores, enquanto as incubadoras são mais centralizadas no desenvolvimento da tecnologia do que no negócio em si", explica o secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), Marcos Vinícius de Souza.  



Veja abaixo as características de algumas aceleradoras.



Aceleratech



A Aceleratech é voltada a empresas digitais, como as que desenvolvem aplicativos e serviços online. Para participar do processo seletivo é necessário que o projeto esteja com desenvolvimento em nível avançado, preferencialmente com um modelo de protótipo pronto.



Como critério para seleção, eles analisam se a ideia é inovadora, a viabilidade do produto, capacidade de gerar faturamento e o perfil do empreendedor ou grupo, pois é determinante que os interessados saibam trabalhar em equipe.



Após o período de maturação, cada startup pode receber até R$ 150 mil em investimento. Uma parcela de 10% a 15% desse valor será revertida em equities (participação) para a Aceleratech.



Contatos: http://aceleratech.com.br ou (11) 3262-4118



Artemísia



Aceleradora com foco em negócios de impacto social, a Artemisia aceita projetos de empresas com fins lucrativos, diferentemente da Ashoka e da Yunus. A instituição busca projetos relacionados às áreas de educação, serviços financeiros, saúde ou habitação.



Para ser selecionado, o negócio precisa ter por objetivo melhorar a qualidade de vida da população de baixa renda e apresentar soluções com potencial para ganhar escala. São aceitos projetos em fase inicial, ideias piloto e startups com produtos no mercado que buscam rápido crescimento.



A Artemisia não se torna sócia, nem fica com participação na empresa na forma de equity. Para participar do programa, os interessados devem pagar uma taxa de comprometimento de R$ 3.500,00. Não há liberação de recursos para investimento nas startups. A instituição apoia a captação de investimentos por meio da sua rede de investidores.



Contatos: http://artemisia.org.br ou (11) 3812-4303



Ashoka



A Ashoka não se define apenas como aceleradora e sim como uma rede que oferece uma gama de serviços para empreendedores de negócios de impacto social, entre eles o processo de aceleração.



As propostas podem ser submetidas pelo site durante o ano todo. São aceitos somente negócios de impacto social sem fins lucrativos. Os selecionados recebem acompanhamento por até três anos, além da possibilidade de aporte de recursos financeiros para investir no projeto.



Contatos: http://brasil.ashoka.org ou (11) 3085-9190



InovAtiva Brasil



Programa do MDIC que envolve plataforma de capacitação e programa de aceleração. Na plataforma virtual para capacitação de novos empreendedores, o cadastro é gratuito e dá acesso a aulas em vídeo, materiais e interação com outros usuários da rede, por meio de chats. O processo de aceleração recebe inscrições todo ano. 



Podem concorrer negócios pré-operacionais ou empresa estabelecidas, desde que tenham até cinco anos de operação, faturamento anual máximo de R$ 3,6 milhões e que não tenham recebido investimentos superiores a R$ 500 mil. Novos negócios (spin-offs) criados por empresas estabelecidas há mais de cinco anos também podem participar.



O secretário de Inovação do MDIC, Marcos Vinícius de Souza, explica que os interessados em participar devem apresentar um plano de negocio estruturado. "São selecionadas até 300 startups, que são conectadas com empreendedores de sucesso que ajudam na mentoria e na estruturação do projeto", diz. A aceleradora não fornece apoio financeiro, mas prepara o empreendedor para ter acesso a esse apoio.



Os participantes ganham pontos extras para concorrer em editais do Sesi, Senai e MEC. Neste ano, os 15 finalistas vão participar de um programa de cooperação no Reino Unido, além de concorrer a um prêmio de R$ 400 mil oferecido pelo Senac.



Contatos: http://www.inovativabrasil.com.br/ ou inovativa@inovativabrasil.com.br



Triple Seven



Aceita todos os tipos de projetos, de impacto social ou não, nacionais ou internacionais, desde que já tenham um produto pronto para ser lançado. Não existe processo seletivo. Os interessados precisam da indicação de mentores ou parceiros da aceleradora para participar.  



Victor Kawamura, co-fundador, explica que a Triple Seven oferece consultorias e orientações individuais adaptadas à necessidade de cada empresa.  Após o processo de maturação e desenvolvimento, cada startup poderá receber um aporte mínimo de R$ 50 mil para o desenvolvimento do projeto. Em troca, a aceleradora adquire participação na forma de uma porcentagem no capital da empresa (equity).



Contatos: http://www.777accelerator.com ou (11) 3064-4724



Quintessa



A Quintessa é uma opção para empreendedores de negócios com impacto socioambiental. A seleção leva em conta a intenção dos participantes, ou seja, se têm uma clara motivação para solucionar um problema socioambiental relevante, o profissionalismo dos envolvidos e a dedicação de tempo, se o negócio é a principal atividade do empreendedor.



O negócio precisa gerar receita, ser sustentável financeiramente e ter potencial para ganhar escala. O impacto gerado pelo negócio deve crescer na medida em que o faturamento da startup aumenta.



Os interessados devem responder um questionário disponível no site. Após essa etapa são realizadas entrevistas com os empreendedores. O lucro poderá ser distribuído entre os sócios e não existe restrição quanto à área de atuação escolhida. A aceleradora faz a ponte entre os empreendedores e investidores parceiros para auxiliar na captação de recursos.



Contatos: http://quintessa.org.br/ ou (11) 2371-1888



Startup Farm



Aceleradora de projetos de base tecnológica, como aplicativos e serviços online. Abrange negócios de diversos segmentos, mas também costuma lançar durante o ano programas temáticos, para determinados perfis de projetos.



A seleção analisa analisado o perfil da equipe, o mercado almejado, a solução proposta e a aderência ao programa. O processo de aceleração e mentoria dura cerca de cinco meses e está aberto a interessados de todo o Brasil.



Existe a possibilidade de o negócio acelerado receber um aporte financeiro de R$ 40 mil. Neste caso, a Startup Farm adquire de 8% a 10% em participação na empresa como retorno pelo capital investido.



Contatos: http://www.startupfarm.com.br ou (11) 9 8331-0715



Yunus Negócios Sociais



A Yunus acolhe somente projetos de impacto social que não visam lucro e contribuem para o desenvolvimento da localidade em que atuam. São aceitos em diferentes estágios: desde ideias que ainda não foram tiradas do papel - e precisam ser incubadas - a startups em atividade que buscam aceleração.



A seleção leva em conta o potencial de impacto social do projeto, a solidez da ideia e a qualidade dos empreendedores que lideram o negócio. O processo seletivo é realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro.



No Rio são aceitos somente projetos de impacto local; em São Paulo, estão liberados projetos em escala nacional. Startups consideradas aptas recebem um aporte financeiro realizado em forma de empréstimo a juros baixos. A Yunus também fica com uma participação acionária minoritária para garantir que os projetos permaneçam funcionando como um negócio social.



Contatos: http://www.yunusnegociossociais.com ou contato@yunusnegociossociais.com