- Se você é um empreendedor em busca do melhor ponto comercial para o seu negócio, muita calma nessa hora. Há uma série de fatores a serem considerados antes de escolher o lugar. Durante o processo de seleção, informações sobre concorrência, perfil do empreendimento, público-alvo e valor do ponto devem ser bem estudadas para encontrar o local ideal.



Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a escolha deve contemplar a coerência entre os conhecidos quatro "Ps" do marketing: ponto, produto, preço e propaganda. Se o ambiente escolhido não for compatível com o posicionamento do produto, por exemplo, pode comprometer as vendas. Um aluguel alto também vai pesar negativamente sobre o preço, geralmente abreviando a longevidade do negócio.



O Sebrae oferece cinco tipos de análises e um questionário de avaliação do ponto para o empreendedor nortear sua busca, além da orientação de analistas. "Primeiro, o empreendedor deve analisar sua própria empresa e o mercado, pensando no perfil de cliente, na facilidade de acesso e no fluxo no ponto escolhido", orienta Luciani Matielo, analista de negócios do Sebrae.



Além de verificar a concorrência, que pode ser saudável dependendo do tipo de negócio, é importante checar a acessibilidade do imóvel. Quem é o cliente? Ele consegue ir a pé ou apenas de carro? Como é o tráfego da rua? Ela é iluminada? O estacionamento é necessário? O ponto tem visibilidade para quem passa de carro? "O empresário que vai trabalhar com público da terceira idade, por exemplo, não pode escolher um local com muitas barreiras ou escadas.É importante focar as demandas do público-alvo, ao invés de lidar com obstáculos em função de um imóvel mal localizado", pondera Luciani.



Já uma boa localização pode garantir o fluxo de clientes mesmo em tempos de crise. Há 12 anos no mercado de pisos e revestimentos, com fornecimento para 80 pontos de venda no Brasil, a Emme Due Revestimentos trocou o ponto comercial, mas continuou no mesmo bairro de Moema, em São Paulo. Resultado? Aluguel três vezes menor e aumento de 14% nas vendas.



Segundo Nanci Moniz, proprietária do negócio, a mudança de ponto ocorreu em razão da retração das vendas em decorrência da crise. "Fevereiro de 2016 foi o ápice da dificuldade e mudamos em maio. Com orientação do Sebrae, ficamos no mesmo bairro porque é onde se encontra o maior fluxo de nossa clientela. Reduzimos o aluguel e mantivemos clientes e marcas, trocando um local de 180 metros quadrados para um espaço de 30 metros quadrados", conta Nanci.



A experiência da empresária mostra que conhecer a região e o público no entorno determina o êxito da atividade. E este conhecimento pode ser obtido com auxílio da tecnologia. Para a diretora de inteligência de mercado da Geofusion, Suzana Figoli, é difícil acertar na escolha do ponto sem antes analisar a região em que ele está inserido. "Não adianta pensar no imóvel, no trecho da rua, se aquela região não tem o perfil e a quantidade de público-alvo que o negócio precisa. Se a análise for superficial, há grandes chances de erro", ensina.



Há 21 anos baseada em São Paulo, a Geofusion oferece uma detalhada visão do mercado, mapeada por quarteirão, de qualquer cidade do Brasil. Por meio de ferramentas de geomarketing, a empresa oferece dois tipos de soluções abertas em que o usuário registra seus dados, o de suas empresas e clientes e, a partir deste cadastro, consegue obter uma abrangente análise do ponto, desenhar sua estratégia de expansão por quarteirão e detectar o volume de oportunidades que existem, bairro a bairro, nos diferentes mercados.



"O usuário pode verificar qual a classe social de seus clientes, por exemplo, saber o tempo que levam para chegar à sua loja, conhecer as unidades de concorrentes e descobrir onde ele poderia estar e ainda não está. As ferramentas viabilizam o conhecimento e a conquista, o domínio do mercado", diz Suzana.



Graças a um bom mapeamento do ponto e conhecimento do mercado, a Pés sem Dor abriu unidades no auge da crise e está em expansão. Inicialmente instalada no município paulista de São Bernardo do Campo, em uma área de 600 metros quadrados e dez funcionários, a fábrica de palmilhas ortopédicas conta hoje com dez unidades na Grande São Paulo e Baixada Santista. No processo, enfrentou mudanças de ponto e de estratégias até o atual modelo de negócio.



Em 2012, a empresa contava com uma unidade própria em Barueri, a qual não vingou em razão do alto custo do aluguel. Observando a expansão de lojas de concorrentes, que ficaram menores e melhor localizadas, os dirigentes decidiram mudar a matriz, então localizada na avenida Paulista. "Decidimos tentar novamente com duas estratégias distintas: custos fixos baixos e uma ferramenta para auxiliar na escolha do melhor endereço possível. A Geofusion nos auxiliou a fazer a expansão que iniciamos em 2016", informa Thiago Case, diretor de marketing da empresa. "Um trabalho que era de formiguinha, de perguntar para conhecidos, que nem sempre davam informações precisas, passou a ser algo certeiro", acrescenta Case, que prevê a inauguração de mais sete unidades até o final do ano.



A dor nos pés que atormentou o proprietário da empresa, Thomas Case, em 2009, a ponto de fazê-lo percorrer seis países, pesquisando a melhor tecnologia de fabricação de palmilhas ortopédicas, converteu-se em negócio e motivação. Hoje, na plenitude de seus 80 anos, Case diz que o faturamento de agosto cresceu 200% em relação ao mesmo período de 2016. "A redução de custos fixos e a tecnologia salvaram a empresa.Contamos com a impressora 3D, tornando a companhia sustentável. Mas o segredo do sucesso é a ambição."