SÃO PAULO - Os serviços de computação em nuvem estão facilitando os investimentos das pequenas empresas em Tecnologia da Informação (TI). De acordo com o diretor de Comunicação da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro - Nacional), Roberto Mayer, o Censo do Setor de TI realizado pela entidade mostrou que, ano passado, 51,8% dessas fornecedoras destinou um terço de suas vendas a empresas com faturamento de até R$ 3,6 milhões anuais; em 2013 esse percentual era menor, de 43,2%.  "Trata-se de um movimento sem volta. Fiscalização, gestão empresarial, marketing, publicidade, está tudo virando iniciativa de base tecnológica. É mais fácil, mais barato e o alcance geográfico é muito maior", afirma Mayer.



 Para o analista da consultoria IDC Brasil, Renato Rosa, houve amadurecimento desse mercado. "Empresas de até médio porte, com no máximo 500 funcionários, aumentaram em 9% sua demanda por serviços de TI, e respondem por 20% dos R$ 30 bilhões faturados nesse segmento."



Hoje existe infinidade de recursos e ninguém melhor do que o empresário para saber como evoluir com o uso da TI, diz o presidente da Assespro SP, Arildo Constantino. Devem ser seguidos três roteiros na hora de definir os investimentos na área. "Primeiro, o obrigatório, como emissão de Nota Fiscal Eletrônica e transferência de fundos por cartão de crédito. Depois, o necessário: melhoria de gestão de processos, acompanhamento de inovações. E o desejável: aumento de lucratividade, redução de custos", diz. O investimento deve ser planejado para integrar diferentes áreas, assim como a escolha de um sistema para integrar o processo de gestão empresarial, ERP, é um pacto com o fornecedor. Os executivos  alertam: nem sempre o sistema que roda bem na companhia de um amigo é a melhor opção. O mercado é segmentado e quanto mais experiência a fornecedora do programa tiver no segmento de atuação da empresa, mais recursos poderá oferecer.



Disponibilidade para back up e download, agilidade na operação, capacidade para ampliar o uso do sistema caso necessário e rapidez na correção de qualquer problema, são pontos a serem considerados.



O sócio diretor da TI Educacional, Ernesto Haberkorn, não recomenda a compra de mais de um software. "Toda vez que tem de integrar é uma fonte de problemas." Além de atuar com cursos e treinamentos, a TI Educacional desenvolveu o ERPFlex, um ERP voltado  para pequenas e médias empresas. Um dos fundadores da Totvs e especialista na área, Haberkorn diz que a nuvem ajudou muito a baratear os ERPs "que há cerca de dez anos custavam mais de R$ 100 mil". 



Essa flexibilidade levou a importadora e distribuidora de produtos eletrônicos mineira Ponto X a adotar a nuvem, com o  ERPFlex.  Um dos principais problemas era a falta de integração entre o sistema de e-commerce e os demais, diz o gerente de infraestrutura de TI, Alexandre Silveira Godoy.  A cada venda ou entrada de novo cadastro era preciso atualizar os dois bancos de dados e os erros eram comuns, como a venda de peças que não havia no estoque por falta de atualização.



Apesar dos avanços obtidos com a computação em nuvem, o consultor do Sebrae Jairo Lobo diz que os custos ainda inibem o investimento em ERP. Entre as pequenas empresas, metade adotou o ERP. A maior movimentação é pela venda por meio da internet. "Os cursos bimestrais de e-commerce ficam lotados, enquanto que os semestrais de ERP têm 50% de presença", afirma.