SÃO PAULO - O transporte e a distribuição de cargas ainda estão entre as maiores preocupações e custos das empresas. Com políticas urbanas cada vez mais restritivas a caminhões de grande porte para a entrega de produtos e materiais nas principais e maiores cidades do País, as transportadoras acabaram lançando mão de veículos menores para a entrega de carga no menor prazo possível e com maior agilidade, os chamados Veículos Urbanos de Carga (VUCs).



Mas, se por uma lado se ganhou tempo com eles, por outro se perdeu com o aumento de custos com a mão de obra. Para piorar, outros fatores também pesam nos preços do transporte. Entre eles, a depreciação do veículo, seguro, licenciamento e seguro DPVAT. "São os chamados custos fixos, que não variam com o quilômetro rodado, mas pesam em mais de 80% no preço da carga transportada", explica o diretor-técnico da NTC&Logística, Neuto Gonçalves dos Reis.



Por estranho que pareça, combustível, peças de manutenção e de reposição, pneus e limpeza dos VUCs, por exemplo, pesam pouco menos de 20%. Para diluir e atenuar o impacto dessas despesas, as empresas de transporte de carga, sejam terceirizadas ou não, vêm optando por soluções no processo de transporte e de entrega de mercadorias.



A Associação de Gestão de Despesas de Veículos (Agev) informa em seu site na internet que a adoção de medidas para melhorar a gestão das frotas de transporte de uma forma geral pode reduzir esses custos em até 40%.



Entre as principais medidas a serem observadas estão, ainda de acordo com a Agev, "a economia de combustível, combate a fraudes, manutenção preventiva e corretiva dos veículos e modo correto de conduzi-los, além do cumprimento da legislação vigente pelo proprietário, pelo condutor do veículo e por terceiros". 



Em miúdos, isso quer dizer que, com uma boa gestão de frota, é possível gerenciar tanto os custos visíveis (consumo de combustível e manutenção de veículos, por exemplo) como também os custos invisíveis (desempenho dos motoristas, entre outros). A implantação dessas medidas, segundo a Agev, contribui para a redução do tempo de entrega da carga, do número de caminhões parados no trânsito caótico e da emissão de gases do efeito estufa.



Para o diretor da NTC&Logística, a redução de custos passa também pela descentralização de terminais de distribuição e por um bom planejamento de rotas que evite perda de tempo de cada viagem. "Hoje, esse planejamento é feito com softwares específicos [roteirizadores ou rastreadores]. Mas, infelizmente, eles vêm sendo utilizados apenas por grandes transportadoras", diz o executivo.



Recente estudo do Instituto de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) aponta que metade do tempo num processo de entrega de carga, por exemplo, é perdido no deslocamento dos veículos, na procura por um local para estacionar e na espera por alguém que, no local da entrega, receba a mercadoria.



Apesar de existirem soluções para gerenciar melhor parte desses problemas, apenas 25% de um universo de mais de 70 mil empresas de transporte no país dispõem de estratégias para gerir melhor suas atividades, afirma a Agev em seu site. A entidade reforça que o processo de gerenciamento de frota precisa ser implementado desde a aquisição de um veículo até sua venda, já que isso também interfere na conservação e valorização desse bem.



Em suma, a logística comercial urbana continua difícil e complicada. Hoje, segundo especialistas do setor, se distribui cada vez menos, com frequência cada vez maior, com altos custos e ainda em ruas cada vez mais congestionadas e sem lugares onde estacionar. Na década de 1990, segundo esses entendidos, era comum a realização de 30 ou mais entregas por veículo. No início da atual década, caíram para ao redor de 20, e já se caminha para 15 a 10 entregas em muitos casos.



"O trânsito está cada vez pior. É uma questão de sobrevivência, porque soluções concretas para esse caos nas ruas praticamente inexistem. Nem do ponto de vista de arquitetura urbana e nem mesmo de política de investimentos na ampliação, por exemplo, de mais linhas de metrô para o transporte público. Com isso, se poderia aliviar parte dos congestionamentos", reclama o diretor e fundador da Vantine Consulting, José Geraldo Vantine.



"Infelizmente, temos que conviver com o que está aí, até que o desafio seja equacionado por causa, quem sabe, de algum cataclisma", acrescenta Vantine. Para ele, os responsáveis pela administração das grandes cidades deveriam começar a pensar e planejar melhor o transporte de forma integrada, e conduzir melhor o crescimento desordenado das grandes cidades.