SÃO PAULO - Conforto de um automóvel para aliviar os efeitos do caos nas ruas, ágeis e fáceis de manobrar, alta tecnologia e computador de bordo, além de itens que atendem às normas de emissões de gases e de segurança. E ainda transportam entre 1 e 3,5 toneladas. Estes são os Veículos Urbanos de Carga (VUCs), responsáveis nos últimos anos também pela forte expansão da frota brasileira de veículos.



Os VUCs, que praticamente custam um quarto do valor de um caminhão novo de porte grande, nasceram para suprir algumas das dificuldades do cotidiano nas grandes cidades e facilitar a logística de transporte de produtos e materiais. Mas o número deles circulando nas ruas já congestionadas é tanto que os problemas e riscos causados pelo caos continuam pesando no caixa das empresas.



O diretor e fundador da Vantine Consulting, José Geraldo Vantine, lembra que, em meados da década de 1990, quando idealizou o projeto básico desse veículo com características adequadas para circulação em meios urbanos, já existiam restrições a caminhões na Região Metropolitana de São Paulo. Mas se até hoje pouco se fez para melhorar a mobilidade das pessoas, quase nada se fez para facilitar a mobilidade cargueira. "Como se não fosse necessário abastecer dia e noite as cidades", reclama Vantine.



Apesar de os VUCs terem melhorado a logística de distribuição nos centros urbanos, com menos tempo de carga e descarga, eles têm suas desvantagens, associadas a número de veículos circulando nos grandes centros, principalmente quando estão trafegando sem carga. Estudos mostram que, mesmo sendo veículos menores e menos poluentes, além de mais ágeis, ele requerem um número maior de viagens, rodam quilometragens mais extensas, aumentam a circulação nas cidades e contribuem para o congestionamento.