São Paulo - A venda de cotas de consórcios por meio de leilões tem ficado mais comum. Segundo especialistas, um dos motivos é a inadimplência no setor de consórcios ou ainda a desistência do participante por poblemas financeiros.



Segundo a diretora comercial da SOLD Leilões, Andréia Tavares, houve alta de cerca de 30% na quantidade de cotas leiloadas , em comparação ao primeiro trimestre. Nos leilões de cotas de consórcios, o preço de arremate chega a apresentar deságio de 60% sobre os valores já pagos pelo consorciado.



A economia alcançada é representada pela diferença entre o valor já pago pelo participante e o valor final do lance. O arrematante assume as parcelas a vencer e a cota de um grupo já em andamento. Para cotas contempladas, é uma forma de ter acesso ao crédito, sem precisar aguardar ser sorteado ou dar um lance vencedor.



Andréia ressalta, no entanto, que é importante que o interessado leia todas as informações sobre o lote antes de realizar lances. Entre os documentos disponíveis estão o edital, o regulamento da administradora do consórcio e o extrato detalhado dos pagamentos já realizados e das parcelas a vencer.



A diretora da SOLD Leilões destaca que a procura de cotas de consórcios tem apresentado crescimento, diante da versatilidade disponibilizada pelas administradoras para utilização das cartas de crédito e também devido aos juros e taxas mais baixos, em relação a outras modalidades de financiamentos bancários.



Ela também salienta que o processo de venda realizado por meio de empresas de leilões aumenta a credibilidade e transparência da operação, eliminando riscos de fraudes. Segundo a executiva, a aceitação desta categoria refletiu-se na performance positiva de 70% de cotas vendidas em relação às ofertadas.



Comprando desistências



Andréia diz que as cotas vendidas por meio de leilões pertenciam anteriormente a cotistas que não conseguiram mais pagar as prestações e, assim, desistiram da aquisição, que se desfizeram da cota para quitação de dívidas ou ainda por aqueles que optaram em ter o dinheiro já pago de volta. Há ainda casos de cotistas que possuem uma carta contemplada de "gaveta".



Neste ano, a SOLD já realizou cerca de 40 leilões de cotas para aquisição de imóveis e veículos leves e pesados. Dentre elas, estavam cotas contempladas e não contempladas. Agora, a empresa conta com sete cotas de automóveis e imóveis, com lances iniciais a partir de R$ 11,5 mil. A operação envolve diversas administradoras e o leilão será encerrado em 17 de agosto.



Na Zukerman, haverá em 15 de agosto leilão extrajudicial de duas cotas de consórcio não contemplados de créditos de R$ 263.361,29 e prazo de 178 meses; e outro de R$ 282446,19 com prazo de 169,5 meses, para aquisição de imóveis, administrados pela Porto Seguro.



Planejamento financeiro



Para especialistas, o interesse do consumidor pelos consórcios tem se mantido estável mesmo diante da crise. De janeiro a maio deste ano, o sistema registrou 6,93 milhões de participantes ativos, com queda de apenas 1,9% em relação ao mesmo período de 2016, segundo dados da Associação Brasileira de Administradora de Consórcios (Abac).



As vendas de novas cotas, no entanto, cresceu 7,8% e o volume de créditos negociado disparou 24,7%, para R$ 36,3 bilhões. O tíquete médio, em maio, alcançou R$ 40,7 mil, 10,6% superior ao apurado no mesmo mês de ano passado.