por: Roberto Müller Filho/ Liliana Lavoratti
O empresário Vlademir Bin
SÃO PAULO - Desenvolvimento de sistemas de computadores é a especialidade do empresário Vlademir Bin desde 1999. Naquele ano, ele estreou nos negócios faturando alto graças ao "bug do milênio", temor generalizado de pane nos computadores, na passagem do ano de 1999 para 2000. Desde então, o analista de sistema não parou mais de criar start-ups rentáveis.
A Adlead, agência global especializada em marketing digital, é, até agora, sua mais lucrativa criação. Através da Adlead, Bin lançou no Brasil uma inovadora ferramenta para os internautas: o AppGrátis. Trata-se de um aplicativo para iPhone e iPad que permite baixar gratuitamente aplicativos disponíveis na AppStore Brasil, que normalmente são pagos, durante 24 horas.
A ideia conquistou 12 milhões de usuários. Todos os dias, as indicações do site rendem, no mínimo, um milhão de downloads, e o aplicativo não sai do topo da Apple Store. Uma vitrine tão reluzente se traduz em lucros. Em 2012, o faturamento alcançou R$ 6 milhões. A expansão dos ganhos parece estar longe do teto, já que Bin prevê faturar R$ 15 milhões em 2013, com a parceria com a Labelium, empresa que faz campanha em sites de busca e Youtube e trabalha com pesquisa no Facebook, Google, Bing e Yahoo. Para turbinar ainda mais o caixa, Bin lança, em junho, o AppGrátis mundial para Android.
DCI - Como descobriu a Adlead?
Vlademir Bin: Foi na Alemanha, em 2009, já na crise. Conheci uma empresa francesa que logo quis trazer para o Brasil, a Adlead. O "namoro" começou na Europa, mas só no fim de 2010 virou "casamento" e eu trouxe para o Brasil.
DCI: Qual a área de atuação?
VB : Geração de leads. Ou seja, faz aquisição de novos clientes para empresas de e-commerce e marcas.
DCI: Como funciona?
VB: Um novo e-commerce vai ser desenvolvido e a empresa diz "quero ter 100 mil contatos na base de dados, com perfil entre 20 e 35 anos, que more no Sudeste do Brasil e com perfil de usuários com 60% de mulheres e 40% homens. Os clientes nos dão um perfil e falam o que a empresa pretende. Depois, criamos campanha na Internet, com custo e desenvolvimento nosso. Compramos espaços na mídia. Tudo na Internet e com custo Adlead.
DCI: Como é o e-mail marketing?
VB: É uma opção, na qual faço a campanha inteira, como a Dafiti, nosso cliente. Em uma campanha da empresa para 30 mil pessoas com e-mail, marketing e banners. Compro espaços nos sites e blogs nos quais colocamos banners. Primeiro faço um hotsite, site que tem a cara da empresa. Toda a parte visual, a comunicação e a cara da empresa contendo contratante. Inserimos campos com todos os dados que a empresa quer ter dos clientes: e-mail, a idade, data de nascimento, de acordo com a solicitação de cada um.
DCI: Como levar o cliente à página?
VB: Faço e-mail, marketing e distribuo para os sites escolhidos. Procuro um site de horóscopo, por exemplo, e falo: tenho esta campanha da Dafiti que esta interessada em mulheres. Você pode disparar esta campanha para mim? Aí o site de horóscopo dispara esta campanha para os usuários e quem acessa seu conteúdo.
DCI: O site ganha?
VB: Sim, ganha. Boa parte da minha receita vai para estes canais, em torno de 70%.
DCI: As listas são de quem?
VB: São das empresas a quem pedimos para divulgar as campanhas. Empresa que mantém um site de horóscopo, tem o e-mail dos usuários. Todo dia o site de horóscopo manda para o usuário a previsão astrológica do dia e a nossa propaganda vai junto. Se for um site que dá dicas de saúde, a mesma coisa. Eles mandam indicação de qual alimentação a pessoa tem que ter naquele dia. Um site de notícias, enfim, todos os dias nossa propaganda vai junto com conteúdo de parceiros.
DCI: A pessoa opta por receber?
VB: Sim, o preenchimento dos cadastros é voluntário. Recebe um resumo das notícias todos os dias, junto ao nosso banner. Se clicar no banner vai ser direcionada para o hotsite e pode optar por se inscrever ou não. Assim, captamos esses cadastros. O que está por trás disso é a inteligência da campanha. Definimos durante o briefing , por exemplo, o target e vamos atrás. Temos que fazer boa seleção porque 100% dos riscos são nossos. Se não tiver ninguém cadastrado, não ganho.
DCI: Qual o retorno?
VB: Para cada 1 milhão de e-mails enviados você tem 230 mil pessoas que abrem o conteúdo, ou seja, 23% de taxa de abertura do e-mail. Destas, 10% e 15% clicam, e nesse total, dependendo da campanha, por exemplo, campanhas de moda e de viagem, 50% se inscrevem. Telefonia, 8%. Seguros de saúde, 10%. Varia muito.
DCI: Por que?
VB: Quando a pessoa se inscreve, autoriza aquela marca a entrar em contato com ela. Só isso. Depois dos cadastros, a marca então fará o envio de sua publicidade. Nosso trabalho é fazer a aquisição do cliente. Daí pra frente é a marca quem vai vender. Não adianta passar um interessado e a empresa demorar um mês pra mandar a propaganda ou mandar quatro vezes a mesma mensagem por dia. Por isso a Adlead não atua com CPA (custo por aquisição do produto do cliente)e sim com CPL (custo por lead). Recebo por cada lead (cadastro) que entrego.
DCI: Informações autorizadas dão mais retorno?
VB: É uma venda mais assertiva, se o cliente lembra que autorizou, a taxa de abertura é altíssima. A propensão à compra também é boa.
DCI: E nos spams?
VB: A legislação diz que enviar spam é falta de ética, não é crime. Mas, com as discussões do marco civil da Internet que está rolando no Congresso, devemos ter uma "lista branca", na qual o consumidor terá que se cadastrar para receber.
DCI: Você é sócio da Adlead?
VB: Sim. Montamos a empresa como uma start-up. Agora são três francesas: Labelium, Adlead, AppGrátis na qual a Adlead tem participação e recebeu aporte de US$ 10 milhões. São 2 aplicativos globais, um para Iphone, outro de Ipad.
DCI: Quem são os demandantes do AppGrátis no Brasil?
VB: Marcas de varejo, sites de e-commerce e games.
DCI: Como está o mercado?
VB: Este ano, pela primeira vez, o numero de smartphones vai ultrapassar o numero de celulares comuns no Brasil. Cada vez mais as pessoas compram pelo celular.
DCI: Qual o faturamento?
VB: Em 2012, faturamos R$ 6 milhões. Com a nova empresa que estamos trazendo para cá, que se chama Labelium, o total deve ir a R$ 15 milhões.
DCI: Como será a parceria?
VB: A Labelium é uma empresa francesa que faz campanha em sites de busca e Youtube, trabalha com pesquisa no Facebook, Google, Bing e Yahoo, com sites patrocinados. Coloca palavras-chave (tags) nos canais e na busca do Google e eles aparecem na primeira tela. Tem 10 escritórios no mundo: Paris, Madri, Barcelona, Viena, Milão, Londres, São Francisco, New York, Lisboa e São Paulo. Atende, entre outras, a 27 marcas de luxo da L'Oreal e grifes como Louis Vuitton e Dior. Estamos indo para outros países porque os resultados que oferecemos é tão expressivo que eles pedem para atendermos em outros países. Acabamos de abrir escritório em São Paulo por solicitação destes grupos e estamos indo para Austrália e Cingapura também.
DCI: Em relação à Labelium, qual é a sua posição?
VB: No Brasil, a Labelium é 50% da Adlead, portanto, sou sócio, com 12,5% de participação. Estamos abrindo outra empresa com o grupo Cheque Express, que faz aquelas maquininhas para validar cheques, que também fazem transações de cartões. Estamos criando empresa de base de dados com eles. Ou seja, criamos uma nova empresa com a Data Miner, que é do grupo deles, para criar inteligência de banco de dados. Vamos cruzar os dados com inteligência, ou seja, a criação de um big data.
DCI: O comercio seguirá a tendência de usar informação de forma relevante?
VB: A Adlead acabou de lançar o e-mail retarget, que é oferecer um produto para alguém que já se interessou pelo produto em algum momento. Todo mundo que abre uma campanha nossa pode participar de uma campanha de retarget. Se um cliente meu estiver em um site, fez um carrinho e não comprou, no dia seguinte posso fazer uma oferta pelos produtos que ele não comprou. Neste caso, a taxa de conversão é quatro vezes maior, altíssima. Esses novos negócios vão fazer o faturamento dobrar. A Labelion é nova, mas o nosso faturamento de Adlead, de janeiro e fevereiro, já é o dobro do de 2012.
DCI: O empresário brasileiro, fora as grandes marcas, está muito fechado para tais janelas para melhorar seu negocio?
VB: As pequenas e médias empresas com capital 100% nacional ainda tentam internalizar estes processos. Contratam uma pessoa para tomar conta de uma campanha sozinha e acham que vai dar resultado. Para alguns tipos de negocio funciona, para outros não e mesmo fazendo internamente algumas campanhas é preciso especialização. Há cinco, 10 anos você reinava no Google sozinho. Hoje tem clique que custa R$ 25. O Google tem um total de 90% do mercado de busca brasileiro.
DCI: Estes serviços de busca concorrem efetivamente com a propaganda tradicional??
VB: Grandes agências de publicidade que cuidam de contas em televisão e rádio têm verbas altíssimas. As verbas de internet, salvo engano, consomem 10% dos investimentos. A televisão ainda é a maior mídia, mas não é interessante para muitas agências porque é difícil medir o impacto diante do público. Cada vez mais a internet ganhará mercado.
DCI: A que atribui o sucesso da empresa?
VB: Estamos fazendo o básico. Entregamos o feijão com o arroz para uma empresa que tem um e-commerce ter resultados. Inovamos dentro do feijão com o arroz, pondo tempero diferente. Comecei sozinho, como era dinheiro próprio fomos crescendo orgânicamente e hoje temos caixa para fazer aquisição. A Adlead tem 12 funcionários e devemos chegar a 17 pessoas nos próximos três meses. Pretendemos ter RS 15 milhões de faturamento.
DCI: Conte sobre o kebab.
VB:. Conheci esse sanduíche, o kebab, quando morava na Alemanha. Aqui no Brasil não tem. Aí vi a oportunidade e abri o negócio. Montei uma kebaberia móvel com um amigo que funciona em uma van, porém, tivemos vários problemas com o carro e o dinheiro do projeto acabou antes do prazo. Hoje temos 100% de aprovação do lanche, mas só fazemos eventos. Ainda não conseguimos faturar e até agora gastei R$ 250 mil. Queremos transformar este negócio em uma rede de franquias e estamos procurando investidores. Com esse negocio, aprendi que se você não coloca foco em um negócio, não funciona. Hoje esta kebaberia móvel não é minha prioridade. Se eu estivesse 100% envolvido nisto, certamente já teria tido sucesso.
Assine o jornal impresso e tenha acesso total a versão eletrônica. Conteúdo exclusivo para assinantes. Clique aqui e assine!