Especial
10/08/2012 - 00h00 | Atualizado em 10/08/2012 - 02h13

Grife estrangeira disputa mercado voltado à classe A

SÃO PAULO - Fora Eike Batista e Jorge Paulo Lemann, dois bilionários brasileiros, as empresas voltadas ao mercado de luxo no País estão de olho em outros 10 mil brasileiros, que entraram

Flávia Milhassi

Primeira loja da Sephora aberta no centro de compras que é referência no mercado de luxo, o Shopping JK Iguatemi, na zona sul da capital paulista
Primeira loja da Sephora aberta no centro de compras que é referência no mercado de luxo, o Shopping JK Iguatemi, na zona sul da capital paulista
Foto: Divulgação

SÃO PAULO -  Fora Eike Batista e Jorge Paulo Lemann, dois bilionários brasileiros, as empresas voltadas ao mercado de luxo no País estão de olho em outros 10 mil brasileiros, que entraram para o patamar de milionários no ano passado. Com isso, o País, passou a figurar em 11° no ranking mundial de nações com maior população de alta renda e começou a atrair novas grifes. Umas das que devem chegar por aqui é a Valentino, com inauguração prevista para o final deste ano ou no começo de 2013, além da loja de departamentos Macy's, conforme apurou o DCI.

Só no ano passado, o segmento de luxo foi o responsável pela movimentação de US$ 12 bilhões no Brasil, um incremento de 33% ante 2010. Para este ano, segundo Silvio Passarelli, dono da Silvio Passarelli Luxo & Cultura, a expectativa é alta de ao menos 13%.

Ainda segundo o especialista, no Brasil existe a possibilidade de o mercado de luxo ser até duas vezes maior do que é atualmente. Em breve, as lojas de departamentos norte-americanas podem chegar em peso ao País, calcula Passarelli. Ele afirmou que o setor, ano passado, foi impulsionado pelos imóveis de alto padrão. "No ano passado os imóveis e os carros importados impulsionaram o crescimento, e este ano os segmentos de moda e acessórios serão os destaques", disse.

Roupas e acessórios

No ramo da moda, o mercado é disputado pelo vasto número de operações, tanto que a marca Diesel voltou a apostar no potencial do consumo interno do Brasil. A empresa abriu uma operação este ano, no novo reduto do luxo brasileiro: o Shopping Iguatemi JK, na capital paulista. Segundo Renzo Rosso, fundador da grife, o "Brasil é a bola da vez". A intenção da bandeira é ter, ao longo de cinco anos, 20 novas lojas. Ainda segundo o executivo, as peças mais vendidas aqui são as da linha Diesel Black Gold, confeccionadas com tecidos nobres.

Questionado sobre o mercado de luxo em solo brasileiro, Rosso acha que ao longo de 20 anos ainda será interessante apostar aqui. "Acho que em 10 ou 20 anos será um momento fantástico para o País, então tenho muito interesse em investir mais aqui", afirma.

Outro setor que mostra um relevante potencial de crescimento é o de relógios. O segmento movimentou R$ 1 bilhão e a cifra inclui da comercialização de itens nacionais à importação de produtos de marca estrangeira. Ainda assim, os relógios são menos procurados pelo consumidor, mas para José Ricardo Calil, superintendente-comercial do Grupo Dumont Saab, existe um certo vácuo entre os consumidores de 12 a 35 anos, que ainda não usam esse acessório, a ser preenchido.

"Nessa parcela da população, a penetração do produto é baixa, o que enfatiza o potencial de crescimento", explica. A empresa familiar, há 25 anos no mercado, além das marcas próprias Condor New e Dumond - voltadas às classes C, D e B, C respectivamente- conta com a licença de revenda dos relógios das grifes Adidas, Emporio Armani, Fossil, Diesel, Michael Kors, Marc by Marc Jacobs, Armani Exchange e DKNY.

Ainda conforme a experiência do empresário, a procura por relógios importados nos mil pontos de vendas que o grupo atende pelo País, hoje, é influenciada pelo aumento do poder de consumo da população, e pelas peças, que começam a ser inseridas em um conceito de acessório de moda.

Para Ricardo Brown, diretor de marcas internacionais do Grupo, é possível triplicar a comercialização desses produtos no Brasil. "Acredito que é possível crescer 200% a vendas dessas marcas internacionais de relógios". Brown enfatiza que as marcas sentem o Brasil como um excelente nicho de mercado e que por vezes, chegam aqui produtos criados especialmente para este consumidor. "Já sentimos a movimentação das marcas para atender melhor o consumidor brasileiro."

Outros acessórios que atraem o olhar dos clientes mais exigentes são as joias, sempre bem-aceitas e consumidas pelo público feminino. Tanto que uma das mais conceituadas bandeiras do mercado, a Vivara, tem atualmente 177 unidades espalhadas pelo Brasil e prevê crescer 20% neste ano. Na rede, os relógios de luxo representam 15% das vendas.

Casa refinada

Vestir as mansões é um outro mercado em potencial e os produtos conhecidos como home wear têm ganhado destaque. A grife Trussardi, especializada na comercialização de artigos de cama, mesa e banho, com 100 no mercado, acaba de inaugurar sua primeira loja-conceito, na charmosa Alameda Gabriel Monteiro da Silva, considerada a meca da decoração em São Paulo (SP).

Em um plano ousado para ampliar sua atuação, a grife pretende ter ao longo deste ano 15 unidades operando em sistema de franquias e, posteriormente, chegar a cerca de 20 lojas só em São Paulo. É o que afirmou ao DCI Mauro Preti, diretor-geral da bandeira de luxo, que resolveu ampliar a atuação, de apenas vender em um canal multimarcas com o conceito store in store (loja dentro da loja).

"Decidimos abrir nossa primeira loja própria após termos um contato mais direto com a nossa consumidora", explicou. A marca acaba de promover a reformulação do seu mix . Antes eram oferecidos 2.500 itens e atualmente são 1.600, o que otimizou as linhas ofertadas ao consumidor, conforme explica o diretor geral da empresa. "Nossa intenção era trazer opções de peças à consumidora da classe A, que costuma transitar pelas mais diversas grifes, revendo um pouco o que anteriormente almejado pela marca o consumidor AAA", diz.

Para ter mais proximidade com o seu público-alvo com as lojas, a grife terá o reforço de pontuadas peças de decoração. "Começamos com os vasos que são desenvolvidos para a composição dos ambientes. Pouco a pouco, a Trussardi quer chegar à casa com candelabros para a mesa de jantar, por exemplo", enfatiza Preti. Com 80% do seu faturamento voltado à comercialização de artigos para cama - jogos de lençol - a Trussardi tem visto a linha de banho ter incremento na casa dos 15%, com tíquete médio entre R$ 400 e R$ 500. Mas a marca oferece aos seletos consumidores do mercado de luxo artigos que podem custar R$ 3.000.

E-commerce

Ana Mesquita, sócia-diretora e idealizadora da loja virtual Shelf se aventurou em um mercado pouco explorado no País. Com um plano de negócio diferenciado do e-commerce (comércio eletrônico), a empresa comercializa artigos de luxo seminovos. Prática comum nos Estados Unidos, a empresária resolveu importar a ideia e, segundo ela, foi bem -ceita pela parcela mais elitizada do País. "Agora isso é muito comum no Brasil. Existem pessoas que fazem bazar em casa, no Facebook, para vender peças de marcas renomadas em ótimo estado a um preço melhor", explica Ana. Sem abrir o faturamento, nem seu tíquete médio de compras, a empresária afirma apenas que na Região Sudeste está concentrada a maior parte dos seus clientes, e que bolsas são os produtos mais vendidos.

"Temos itens de marcas como Miu Miu, Prada, Louis Vouitton, entre tantas outras. São oferecidos sapatos e outros acessórios, mas a bolsa é o que tem maior procura", enfatiza.

 

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