Especial
18/12/2015 - 11h23

Inovação no combate à crise

Criatividade, tecnologia e treinamento são ferramentas valiosas em tempos de recessão

SÃO PAULO - Em um cenário econômico difícil, empreendedores se veem obrigados a lançar mão de criatividade para se destacar. Uma das ferramentas que, segundo especialistas, são necessárias nesta atual realidade é a inovação. Porém o Brasil parece ainda apanhar neste quesito.

Segundo pesquisa realizada pela Sage, 32% dos proprietários de pequenas e médias empresas colocam em segundo plano o desenvolvimento de novas idéias na empresa, pois os empreendedores não têm tempo para inovar. Segundo o estudo, feito em novembro em 11 países, incluindo o Brasil, a inovação é o principal desafio que empreendedores declaram enfrentar atualmente. Na prática, apesar de acumularem longas jornadas de trabalho, os empresários admitiram que consideram fundamental descobrir soluções para ajudá-los a ter mais tempo de inovar, mas hoje assumem que esta prática ficou de lado pela falta de tempo. Jorge Carneiro, presidente da Sage no Brasil, lembra que o uso de tecnologias para facilitar processos internos e o investimento em marketing e divulgação do negócio são importantes diferenciais inovadores entre as PMEs, bem como a capacitação e retenção de talentos. "Épocas de crise são pródigas na geração de oportunidades inovadoras, pois as pessoas buscam caminhos diferentes para contornar situações adversas", avalia.

Carlos Panitz, presidente da VE3 Tecnologia e Consultoria em Supply Chain, conta que muitas empresas estão buscando alternativas por conta do cenário econômico. "Não se pode buscar resultados diferentes fazendo a mesma coisa. Organizar o processo de planejamento interno com boas práticas é o primeiro passo e, em seguida, é preciso transpor esse processo e políticas para uma ferramenta que garanta a aplicação consistente e robusta desses processos. A tecnologia tem soluções, mas o desafio é saber priorizar e escolher as que terão mais aderência a uma dada estratégia ou necessidade operacional da empresa. É comum as pessoas associarem inovação a tecnologia da informação. Isso é erro crasso. A inovação nasce antes da TI muitas vezes", explica.

Allan Pires, CEO da Targit, crê que a capacidade de diagnosticar onde se pode obter melhor performance, que mercados podem ser explorados, bem como o potencial na base de clientes, são itens considerados fundamentais. "O incremento em negócios digitais, uso e desenvolvimento de aplicações em nuvem e busca de eficiência interna com mobilidade são boas apostas neste sentido", diz. O consultor Amauri Nóbrega vai além. "Os ciclos de produtos são muito curtos. Em tempos anteriores, uma empresa criava um produto e vivia dele por dez, 15 anos. Hoje, ele se torna obsoleto em menos de seis meses. É preciso ser criativo", adverte.

Diego Perez, sócio-fundador da Start Me Up, lembra que o empresário precisa entender que é necessário ter novas formas de gestão e inovar em ações relacionadas ao controle administrativo e na busca de recursos para atenuar os efeitos da crise. "Novas empresas de tecnologia financeira, por exemplo, têm apresentado ao mercado serviços inovadores e acessíveis que podem ajudar o pequeno e médio empresário na busca de capital ou de crédito. Plataformas de equity crowdfunding possibilitam ao empresário acessar o mercado de capitais brasileiro, sem necessariamente ter que contratar uma instituição financeira para intermediar a operação", ressalta.

Na Benício Advogados, por exemplo, ações desta natureza já estão sendo utilizadas. Segundo o advogado Celso Benício Junior, a aposta foi o desenvolvimento de uma solução tecnológica própria, que integrou todas as áreas e permitiu que as operações ficassem mais rápidas. Além disso, tornou possível medir performance, status de cliente, receita e processos. "Nossas oito filiais ganharam um novo layout, em que apostamos em espaços integrados, sem divisórias, o que gerou mais unificação de todos os nossos departamentos", conta.

No Brasil, um caso relevante e que representa bem o conceito de inovação envolveu uma operação da Din4mo, contratada pelo Impact Hub São Paulo para liderar um processo de captação de R$ 500 mil. Por meio do instrumento de equity crowdfunding- articulado pela Din4mo com a criação de uma nova frente de atuação da consultoria, o Sindicato Din4mo-, conseguiu captar mais de R$ 600 mil reais na plataforma Broota. "O espaço de coworking integra uma rede global que está presente em mais de 80 cidades. Na prática, os investidores acessaram a oferta do hub na plataforma Broota, com aporte mínimo de R$ 2.500. O modelo adotado consiste na emissão de títulos de dívida que poderão se converter em participação futura na empresa. O formato mantém o investidor como um credor durante a vigência do contrato, cujo prazo é de sete anos. A captação tem por objetivo a expansão do Impact Hub São Paulo", conta Haroldo Torres, sócio-diretor da Din4mo.

Andrezza Queiroga

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