Especial
30/10/2015 - 13h14 | Atualizado em 30/10/2015 - 13h22

Prontos para a retomada do mercado

Empresas usam momento de baixa para avaliar operações e se preparar para crescer

SÃO PAULO - Os sinais de que a retração econômica poderia durar por um longo período levaram a direção da Mega Sistemas Corporativos a avaliar como esta nova realidade de mercado poderia afetar os negócios da fabricante de Sistemas Integrados de Gestão Empresarial (ERP) e o que poderia ser feito para fortalecer a empresa para uma retomada da economia.

Como resultado dessa análise, entre outras medidas, a Mega se tornou sócia de alguns de seus canais de revenda e suporte técnico, centralizou operações administrativas, ampliou equipes comerciais e treinou pessoal. Também contratou uma consultoria para rever seu processo de desenvolvimento de produtos e está atenta a oportunidades de aquisição. 

"Deixamos a empresa mais estruturada para crescer", afirma o sócio-fundador e diretor de marketing e alianças da Mega, Walmir Scaravelli. O fôlego que permite esperar um pouco mais para a retomada da economia e se preparar para ela vem dos bons resultados obtidos até 2013, enfatiza  Scaravelli, diretor da empresa de sistemas de gestão sediada em Itu, no interior de São Paulo . 

Nos momentos de crise o caixa é rei. Quem tem dinheiro em caixa encontra várias oportunidades, tem que investir em produtividade, destaca o gerente-executivo da Rede Paex (Parceiros para a Excelência) e professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Emílio Lima. É a hora para fazer estoque de matéria-prima e, principalmente, a ocasião para adquirir concorrentes ou fornecedores e ampliar a cadeia de produção, avalia Lima. Entretanto, ressalta, o planejamento e uma avaliação em profundidade do negócio vão fazer toda a diferença para o sucesso da iniciativa.

Para identificar oportunidades, é preciso que o empreendedor tenha a capacidade de fazer a leitura do mercado no qual atua, que ele saiba como o cenário vai impactar o setor e quais são as perspectivas de médio e longo prazos, ressalta a coordenadora do Centro de Empreendedorismo e Inovação do Insper, na capital paulista, Cynthia Serva. Tendo esta capacidade, o empreendedor poderá, por exemplo, identificar um comportamento do consumidor que pode se transformar em produto ou serviço, exemplifica a especialista.

"É o momento para tecer um planejamento de médio prazo, olhar mais adiante no horizonte, preparando-se desde já para uma economia mais aquecida, se a empresa consegue ter um caixa saudável para isso e o setor sinaliza com movimentos de que existe uma perspectiva de retomar a médio prazo", afirma Cynthia.

Setores de serviços e de bens de consumo de baixo valor agregado, menos dependentes de crédito, tendem a reagir mais rapidamente, observa Lima. Neste contexto, Cynthia destaca alimentação e bem-estar como alguns deles.  Esse horizonte positivo levou o Buddha Spa a manter seus investimentos em um novo modelo de negócio, o Smart Spa, de microfranquias, e em uma linha de produtos para estética. Para tanto, parte dos recursos foi obtida com a  Desenvolve-SP - Agência de Desenvolvimento Paulista.

Embora os números da Desenvolve-SP mostrem uma redução de 23% na procura por crédito neste ano, os recursos para inovação tiveram aumento significativo. Eles somaram R$ 14 milhões no primeiro semestre, ante R$ 5,4 milhões em todo o ano passado. O presidente da Desenvolve-SP, Milton Luiz de Melo Santos, diz que empresas de pequeno porte que têm como DNA a questão da inovação, da pesquisa e do desenvolvimento estão buscando investir, porque estão um pouco fora da economia convencional.

"São novos processos de produção, novos sistemas de controle, tanto inovação total, de disruptura, quanto incremental", destaca. "De fato está surgindo no Brasil, com cada vez mais força, um conjunto de empresas de pequeno porte que estão se dedicando fortemente à inovação, a novas tecnologias e processos. E essas empresas, uma vez capitalizadas, terão muito mais condições de sobreviver a crises do que aquelas que não investiram, ficaram trabalhando no mesmo modelo de negócio que vinha empregando até então", conclui.

Uma pesquisa do Sebrae mostra que o investimento em propaganda e marketing e a oferta de uma maior variedade de produtos são as principais medidas adotadas pelas pequenas empresas como estratégia de vendas diante do atual desaquecimento da economia.

Rita Karam

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