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HAVANA - O ex-presidente de Cuba Fidel Castro condenou nesta quinta-feira (18) a corrupção em seu país e advertiu que sua nação "não será jamais uma sociedade de consumo". Fidel releu, frente uma dezena de estudantes universitários, partes do discurso que pronunciou em 17 de novembro de 2005 na Universidade de Havana, "que hoje de novo ratifico", afirmou.
"Estamos envolvidos em uma batalha contra vícios, contra desvio de recursos, contra roubo", declarou o ex-mandatário.
Ele considerou que "um dos nossos maiores erros, no início e muitas vezes ao longo da revolução, foi acreditar que alguém sabia como se construía o socialismo". "Somos idiotas se acreditamos, por exemplos, que a economia é uma ciência exata e eterna. Perde-se todo o sentido dialético quando alguém acredita que esta mesma economia de hoje é igual de há 50 anos, ou 100 anos, ou 150 anos, ou que é igual à da época de Lênin, ou à época de Marx", defendeu o líder revolucionário.
Após assinalar que "este é um dos povos mais esbanjadores de energia combustível do mundo", colocou que "este país pode se autodestruir a si mesmo", e que "os que não podem destruí-lo" são os Estados Unidos. Cuba, na visão de Fidel, "não será jamais uma sociedade de consumo, será uma sociedade de conhecimentos, de cultura".
Ao reler o discurso durante aproximadamente uma hora e meia, ele atestou que, cinco anos depois, "a atualidade das ideias expostas são mais atuais do que então".
O irmão do presidente Raúl Castro ainda advertiu que os Estados Unidos "estão esperando um fenômeno natural e absolutamente lógico, que é a morte de alguém. Neste caso, me fizeram a considerável honra de pensar em mim. Será uma confissão do que não puderam fazer durante muito tempo".
A aparição pública de Fidel ocorre enquanto Cuba discute as reformas econômicas propostas pelo chefe de Estado, e apoiadas por ele. Entre as mudanças em curso estão o fim de empregos estatais, o corte de subsídios e o aumento da iniciativa privada.




